Isenção de imposto se encerrou em janeiro passado e tarifa de 35% sobre esses veículos passa a valer em julho 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Inauguração da fábrica da BYD em Camaçari (BA): Anfavea teme volta das cotas isentas de impostos para veículos eletrificados eletrificados — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/06/2026 - 11:55 Anfavea alerta governo sobre cotas para carros elétricos importados A Anfavea, que representa montadoras no Brasil, alerta o governo sobre a possível reintrodução de cotas para carros elétricos importados, temendo quebra de cronograma tarifário. Com isenção de impostos encerrada em janeiro, a tarifa de 35% entra em vigor em julho. A BYD é a única a pedir renovação de cotas, enquanto a Anfavea destaca riscos econômicos e impacto negativo para a indústria nacional. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A entidade que representa as montadoras de veículos instaladas no país, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) cobra que o governo federal mantenha o cronograma acertado com o segmento e não libere novas cotas de isenção tributária para veículos importados. A Anfavea teme que na reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão interministerial responsável por formular e coordenar as políticas de comércio exterior, marcada para amanhã, voltem a ser estabelecidas novas cotas para a importação de carros híbridos e elétricos. — Nenhuma empresa tem pedido benefícios adicionais para fazer investimentos, sejam cotas ou alíquotas, além daqueles benefícios que o governo estabeleceu em cronograma — disse Igor Calvet, presidente da Anfavea, lembrando que os investimentos anunciados pelas montadoras no Brasil estão na casa de R$ 140 bilhões até 2030. Em novembro de 2023, o governo decidiu restabelecer gradualmente o Imposto de Importação dos veículos eletrificados. A política previa a volta progressiva da tarifa até atingir o teto de 35%, limite da Tarifa Externa Comum do Mercosul. Em 2025, após pressão das montadoras, o Comitê-Executivo de Gestão da Camex antecipou para janeiro de 2027 a alíquota cheia para kits CKD (Completely Knocked Down — totalmente desmontado) e SKD (Semi Knocked Down — kit semipronto), que originalmente só chegaria a esse patamar em julho de 2028. Cota temporária Foi criada, ainda, uma cota temporária de importação com imposto zerado entre agosto de 2025 e janeiro de 2026. A partir de julho deste ano, os carros elétricos importados e prontos passarão a pagar tarifa integral de 35%. Apenas a chinesa BYD tem cobrado a renovação das cotas e o adiamento do imposto cheio de 35% sobre esses veículos importados, a partir do próximo mês de julho. A empresa começou a produzir seus veículos no país utilizando sistemas de importação SKD e vai evoluindo para o uso do sistema CKD, à medida que a fábrica nacionaliza seus processos. A montadora chinesa teve reuniões com representantes do governo nos últimos meses. Representantes da marca se reuniram com o vice-presidente Geraldo Alckmin, em maio. Estiveram presentes o presidente da BYD Brasil, Tyler Li, executivos da empresa e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, onde a BYD inaugurou sua primeira unidade no Brasil, em Camaçari, ano passado. Outra reunião entre a montadora e o governo aconteceu em junho, em São Paulo, na sede do BNDES, em São Paulo. Na sexta-feira passada, houve uma reunião extraordinária do Comitê de Alterações Tarifárias (CAT), um órgão federal cuja função é analisar e debater pedidos de empresas sobre o comércio exterior, como alterações nas alíquotas do imposto de importação. A pauta do encontro não foi divulgada, mas um dos temas debatidos teria sido as cotas e a alíquota de importação dos veículos eletrificados, segundo se comenta no mercado. O que chama a atenção da Anfavea é que a entidade, até agora, não foi procurada para dialogar sobre a questão. — A priori, não temos conhecimento de um pleito formal para volta das cotas. Mas aconteceu uma reunião do CAT e amanhã haverá a reunião da Camex. Sempre mantivemos canal aberto de comunicação, mas desta vez, não houve diálogo — diz Calvet. 'Rompimento de um pacto' Ele não vê problema que os governos façam pacotes de incentivo para atrair investimentos, desde que sejam cumpridos os cronogramas estabelecidos para trazer equidade com a indústria nacional. — E esse cronograma, era o máximo aceitável. Se houver mudanças, seria o rompimento de um pacto — afirma. Na semana passada, a Anfavea enviou carta à presidência e a diversos ministérios cobrando que seja mantido o cronograma de recomposição tarifária para carros elétricos e encerradas as cotas de importação com alíquota zero. De acordo com a entidade, não houve manifestação do governo, disse Calvet em conversa com jornalistas nesta segunda-feira. Na carta, a Anfavea mostrou números de como a volta desses benefícios impactam a indústria automobilística nacional e vão de encontro à Nova Indústria Brasil (NIB), política federal lançada em janeiro de 2024 para modernizar e fortalecer o setor industrial. O plano busca promover a "reindustrialização", com foco na inovação, sustentabilidade e redução da dependência tecnológica externa. Estudo da Anfavea aponta que a eventual massificação da fabricação de veículos com o uso de kits importados significaria perda potencial de R$ 96,8 bilhões em vendas para o setor de autopeças, redução de R$ 24,3 bilhões em arrecadação para o Governo Federal e a eliminação de cerca de 68 mil empregos diretos e 191 mil em toda a cadeia. Estoque elevado A Anfavea lembra também do elevado número de veículos importados eletrificados em estoque, cerca de 150 mil, um crescimento de 200% nos últimos meses — o que distorce o mercado. A posição da BYD defendendo a volta das cotas não é seguida por nenhuma outra montadora, especialmente as chinesas que começaram a produzir no brasil ano passado. Para o especialista em mercado automotivo e sócio da consultoria KLume, Milad Kalume, uma mudança no cronograma prejudica a indústria nacional. — É preciso ter um limite senão daqui a vinte anos, as empresas ainda estarão pedindo prorrogação para subsídios de SKD/CKD. Não ocorreu nada no mercado que justifique qualquer alteração no cronograma e os chineses são craques em planejamento de longo prazo. A produção e o desenvolvimento da cadeia de fornecedores devem ocorrer aqui e não lá fora — diz Kalume. Procurada, a BYD informou que ainda não tem posicionamento sobre a questão.
Anfavea teme volta de cotas para carros elétricos importados e cobra manutenção de cronograma
Isenção de imposto se encerrou em janeiro passado e tarifa de 35% sobre esses veículos passa a valer em julho












