O novo recuo do Brasil nos rankings internacionais de produtividade expõe um problema estrutural que precisa ser enfrentado: produzir menos do que podemos, com um custo mais elevado e sob um regime de juros que funciona, na prática, como um imposto sobre o investimento e o emprego. É hora de olhar para o quadro maior: uma economia que perde posições em eficiência enquanto mantém uma das taxas básicas de juros mais altas do mundo também perde oportunidades de empregos e renda.

Os rankings de produtividade – elaborados por organismos como a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em que o Brasil ocupa a 94ª posição global – mostram o País sistematicamente na parte de baixo da tabela. Em diferentes levantamentos recentes, aparece da metade para trás, muitas vezes abaixo de outros emergentes com renda similar e até de nações mais pobres em renda per capita mas mais eficientes na relação entre trabalho, capital e tecnologia. Em termos simples: enquanto outras economias aprendem a produzir mais com o mesmo esforço, o Brasil patina.

Essa baixa produtividade tem implicações diretas para a indústria nacional. A competição hoje não é apenas com o vizinho, mas com cadeias globais integradas, que combinam logística eficiente, sistemas tributários menos caóticos, infraestrutura adequada e, sobretudo, crédito barato para financiar tecnologia e inovação. A indústria brasileira, por outro lado, opera sobre uma base de custos distorcida: tributos complexos, gargalos logísticos e uma taxa básica de juros que, em pleno 2026, continua em patamar de dois dígitos, em 14,25% ao ano. Isso significa que qualquer projeto de investimento de longo prazo parte com um “pedágio” financeiro que poucos conseguem pagar.