Uma boneca de pano vestida de toga enfeita a mesa da ministra Maria Elizabeth Rocha, 66, primeira mulher a integrar o Superior Tribunal Militar (STM) e a chegar à presidência da corte mais antiga do país.

O caminho até o amplo gabinete em um tribunal superior em Brasília foi trilhado com foco pela mineira de Belo Horizonte. "Não vou dizer que foi o destino, mas uma construção", diz ela, nomeada para o cargo pelo presidente Lula em 2007.

Naquele momento, estava bem posicionada como subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República, de onde saíram vários indicados para os disputados cargos do topo da magistratura.

"Quando abriu uma vaga para o STM, Gilberto [Carvalho] dizia nos ouvidos do presidente Lula: ‘Coloque a Beth lá. Ela é uma constitucionalista feminista, progressista’", relata a ministra sobre a proatividade do amigo e então chefe de gabinete no Planalto.

Ela havia sido assessora jurídica na liderança do Partido dos Trabalhadores e trazia no currículo dados que tornaram sua escolha para a corte militar, no mínimo, ousada.