Após a rejeição de Jorge Messias pelo Senado, o nome Simone Tebet voltou a circular na banca de apostas como uma alternativa para ocupar a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal. A ex-ministra do Planejamento afirma que Lula não discutiu essa possibilidade com ela, mas defende que o presidente faça uma nova indicação o quanto antes, desta vez de uma mulher. “Se for negra, será histórico. Dificilmente o Congresso rejeitaria ou empurraria esse processo para depois das eleições”, avalia. Nesta entrevista, ela propõe a criação de mandatos para juízes do STF, defende o fim das emendas impositivas e do orçamento secreto, comenta seu papel nas eleições de São Paulo – o maior colégio eleitoral do País – e descarta, ao menos por ora, a criação de uma estatal para controlar a extração e o processamento de minerais estratégicos. “Se ficarmos discutindo a criação da Terrabras, que precisa de aprovação do Congresso Nacional, vamos perder o ano e desperdiçar a oportunidade de regulamentar a exploração de terras-raras.” A íntegra, em vídeo, está disponível no canal de CartaCapital no YouTube.

CartaCapital: Lula deveria insistir no nome de Jorge Messias ou indicar outro nome para a vaga no STF? A senhora acha que a indicação deve ser imediata ou é melhor esperar?Simone Tebet: É direito do presidente da República indicar um ministro do Supremo Tribunal Federal. Basta que o escolhido tenha reputação ilibada e notório saber jurídico, algo inquestionável no caso de Messias. Também é direito do Congresso Nacional, após sabatina, avaliar esse perfil e, eventualmente, rejeitá-lo. O problema é que a rejeição não ocorreu por motivos republicanos, ao contrário. Houve um conchavo de parlamentares preocupados com investigações de escândalos, entre eles o caso do Banco Master. Muitos agiram por instinto de autoproteção. A palavra, na política, é essencial. Sem isso, não avançamos. Havia expectativa de 44 ou 45 votos pela aprovação, mas houve traições de toda sorte. Não vejo outra alternativa senão o presidente fazer uma nova indicação. Defendo que, desta vez, seja apresentado o nome de uma mulher. Se for negra, será histórico. Dificilmente o Congresso rejeitaria ou empurraria esse processo para depois das eleições.