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Professora de Ciência Política da UNIRIO e pesquisadora do QualiGov - Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Qualidade de Governo e Políticas Públicas para o Desenvolvimento Sustentável.

O próximo ministro do STF não será necessariamente o mais qualificado, será o mais confirmável. E há uma diferença enorme entre as duas coisas

Na noite de quarta-feira, o Senado Federal escreveu uma página inédita em 132 anos de história republicana. Rejeitou, por 42 votos a 34, a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A derrota não foi apenas de um nome. Foi o capítulo mais recente – e o mais dramático até agora – de uma história que vem sendo escrita há pelo menos uma década.

Entender o que aconteceu exige resistir a duas tentações analíticas. A primeira é a da narrativa pessoal: Lula não avisou Alcolumbre, Alcolumbre queria Pacheco, Alcolumbre trabalhou pelos votos contrários, fim. Essa leitura captura o gatilho, mas ignora a arma. A segunda é a do conjunturalismo eleitoral: o Senado agiu assim porque Flávio Bolsonaro sobe nas pesquisas e a oposição farejou sangue. Também não é suficiente. O cenário eleitoral funcionou como amplificador: quando o governo está enfraquecido nas pesquisas, o custo de votar contra o presidente cai. A tendência de fundo é anterior, estrutural, e atravessa governos de esquerda e de direita.