Cada geração tem os filmes de horror que merece.

Na década de 1950, "Invasão dos Usurpadores de Corpos" pulsava com o medo pós-guerra da infiltração comunista. A desconfiança nas instituições americanas gerada pelo Vietnã assombra clássicos dos anos 1970, como "O Massacre da Serra Elétrica" e "O Exorcista". Filmes slasher dos anos 1980 —populares entre a geração X de crianças deixadas sozinhas em casa— em geral retratam pais ausentes ou monstruosos. E o "torture porn" dos anos 2000, como a franquia "Jogos Mortais", pode ser lido no contexto de Guantánamo e do escândalo de Abu Ghraib.

"Backrooms", filme sobre um arquiteto frustrado que vira vendedor de móveis e descobre uma dimensão estranha de quartos (quase) vazios, oferece um vislumbre do pesadelo da geração Z: ficar preso em uma realidade alternativa infinita e mutante. Uma visão aterrorizante de um universo distorcido, gamificado e sem fronteiras entre o pessoal e o profissional, o filme acompanha o profundo desconforto de uma geração com a vida vivida online.

O filme é uma sensação entre a geração Z. Arrecadou US$ 81 milhões só nos Estados Unidos em seu fim de semana de estreia. Cerca de 86% do público tinha menos de 35 anos, segundo a PostTrak, empresa de pesquisa do setor cinematográfico; 44% tinha menos de 21.