Minha geração foi aterrorizada por psicopatas insistentes e nem sempre humanos. Falo de cinema. "Halloween", "Sexta-feira 13", "A Hora do Pesadelo".
A estrutura era reconhecidamente a mesma: de repente, a normalidade era invadida por uma figura tenebrosa, desfigurada ou mascarada, que começava a matar com um profissionalismo irretocável. As vítimas eram quase sempre jovens, geralmente em férias, e os primeiros a marchar para a morte eram os mais dissolutos e desbocados.
No final, restava apenas a boa mocinha, madura para a idade, que conseguia escapar ilesa depois de um confronto com a besta. O fato de estar sóbria –sem álcool nem drogas– aumentava suas chances de sobrevivência. Se fosse casta, melhor ainda.
Eu ria desses filmes. Nervosamente, mas ria. Minha geração também. Como defendem os teóricos do "slasher" —nome dado a esse gênero de terror—, alguns desses filmes eram sermões dos "baby boomers" destinados a assustar e moralizar o cinismo pedante da geração X.
Tudo mudou. A geração X envelheceu –sem glória, mas também sem drama. E os filmes de terror da geração Z, criados por essa mesma geração, parecem mudar as regras do jogo. A ameaça já não é externa, física, puritana. É interior, psicológica, sem possibilidade clara de catarse.






