A criançada está de boa. Um youtuber de 20 anos lançou um dos mais perspicazes filmes de terror em anos —justamente em tempos perniciosos, em que todo autor metido prefere fazer um "horror elevado" porque confunde caricatura com metáfora e demagogia com comentário social.
No papel, "Backrooms: Um Não-Lugar" lembra boa parte dos filmes de terror americanos da última década. Seus personagens são atravessados por quantidades cômicas de trauma e luto, e todo elemento sobrenatural é, antes de mais nada, uma metáfora para a condição contemporânea.
Chiwetel Ejiofor interpreta Clark, um pretenso arquiteto que ganha a vida vendendo mobiliário de ponta de estoque e bebe para esquecer a dor do divórcio. Renate Reinsve é Mary, a terapeuta de Clark, que vende fitas de autoajuda, e sofre com as memórias da sua mãe esquizofrênica.
Não gostei: 'Backrooms' encolhe a lenda digital que o inspirou
Como outros filmes do gênero, esses intensos fios dramáticos não são explorados com carinho, mas isso pouco importa. Aqui, o trauma é a metáfora, e a metáfora é o trauma.













