Ferramenta usa tecnologia Cell Broadcast, que alcança aparelhos compatíveis lançados a partir de 2020 e conectados a redes 4G ou 5G; parte dos avisos falsos também saiu por SMS, sistema que exige cadastro prévio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Alerta falso exibido em celulares na madrugada deste sábado continha a expressão “Defesa Civil: misantropi4” e foi enviado após a invasão da plataforma de alertas da Defesa Civil Nacional — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/06/2026 - 13:53 Ataque hacker envia falsos alertas de emergência pelo Defesa Civil Alerta no Brasil Um ataque hacker à plataforma Defesa Civil Alerta gerou o envio de falsos alertas de emergência a celulares no Brasil. Utilizando a tecnologia Cell Broadcast, os alertas atingiram aparelhos compatíveis lançados a partir de 2020 e conectados a redes 4G ou 5G. Parte dos avisos também foi enviada via SMS, exigindo cadastro prévio. O governo acionou a Polícia Federal para investigar o caso, que afetou estados como Paraná e São Paulo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os falsos alertas da Defesa Civil disparados entre a noite de sexta-feira e a madrugada deste sábado não chegaram a todos os celulares do país. Isso ocorre porque a principal ferramenta usada pela plataforma Defesa Civil Alerta funciona por meio da tecnologia Cell Broadcast, compatível com aparelhos Android e iOS lançados a partir de 2020, desde que estejam em área com cobertura de telefonia móvel 4G ou 5G. Além disso, um dos falsos avisos foi enviado pelo sistema antigo de SMS, que exige cadastro prévio. Segundo a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, ao menos 10 falsos alertas foram identificados. As mensagens atingiram milhões de pessoas em diferentes regiões do país, mas ainda não há um balanço final sobre o número de celulares ou de estados afetados. A suspeita é de que a plataforma tenha sido alvo de um ataque hacker. De acordo com o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, a primeira notificação falsa ocorreu no Paraná. Também foram afetados Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Acre. Por volta de 1h30 deste sábado, a plataforma foi desligada preventivamente. — Desde o final do dia de ontem e a madrugada de hoje, o sistema sofreu um ataque, tudo indica de hacker, é um desserviço à nação. Prontamente, a TI tirou o sistema do ar, mas as consequências estão aí, foram muitos alertas, entre 9 e 10 alertas — disse Wolff. Dos alertas identificados, nove foram emitidos por Cell Broadcast. Essa tecnologia permite o envio simultâneo de mensagens para celulares que estejam em uma área considerada de risco, sem necessidade de cadastro prévio e sem depender de pacote de dados. O recurso funciona mesmo se o usuário estiver ou não conectado ao Wi-Fi. “Qualquer cidadão, independentemente do DDD, que esteja no município com previsão de desastre, poderá receber. A ferramenta é gratuita e alcança celulares compatíveis (Android e iOS lançados a partir de 2020) e com cobertura de telefonia móvel com tecnologia 4G ou 5G. O recurso não depende de pacote de dados e funciona mesmo se o usuário estiver ou não conectado ao Wi-Fi.” Na prática, isso significa que usuários com aparelhos mais antigos, sem compatibilidade com o recurso, ou fora da área de cobertura 4G ou 5G podem não receber os alertas por Cell Broadcast. No caso do SMS, o recebimento depende de cadastro prévio. Como um dos falsos avisos foi enviado por esse sistema antigo, parte das pessoas pode não ter sido alcançada por não estar registrada. A mensagem falsa apareceu como “Alerta Extremo”, categoria usada apenas para situações de risco iminente à vida, como enchentes, deslizamentos e tempestades severas. O conteúdo, porém, não correspondia a nenhum protocolo oficial de emergência e trazia a palavra “misantropia”, que significa aversão ou ódio à humanidade. Em alguns aparelhos, a palavra apareceu grafada como “misantropi4”. Wolff afirmou que ainda é muito difícil identificar quantos celulares soaram por causa da invasão, porque os falsos alertas atingiram vários estados ao mesmo tempo. Ele explicou que as permissões para emissão de alertas são organizadas por estado. Em tese, uma mesma chave de acesso não deveria permitir que uma pessoa emitisse mensagens para diferentes unidades da federação. — Cada alerta deveria ser para um Estado. Jamais era para um funcionário conseguir fazer um alerta para outro estado — explicou. — Não sabemos se foi uma ou mais pessoas que deram os alertas. Segundo o secretário, as informações preliminares indicam que o disparo não teria sido feito por um servidor da Defesa Civil, mas por uma ação externa, tratada pelo governo como crime cibernético. — O que parece ter ocorrido é que se cadastraram no sistema e fizeram alerta a partir de Curitiba (PR). A gente bloqueou. Depois outra pessoa entrou com outro usuário e disparou outro alerta. —Com a entrada da PF nessas investigações, a gente tende a evoluir pra ter informações mais completas O Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional acionou a Polícia Federal para investigar o caso. A plataforma segue sem previsão de normalização, mas a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil afirma que trabalha para religar o sistema assim que as condições de segurança forem restabelecidas. — Investigações serão capazes de fazer avaliação, entender como aconteceu, como uma pessoa fora do sistema conseguiu acessar — destacou. Wolff disse que o governo já vinha trabalhando desde o início do ano para reforçar a robustez da plataforma, especialmente no controle de permissões de acesso. Segundo ele, a secretaria pretende colocar no ar uma nova versão do sistema no menor tempo possível. — Temos que entender como aconteceu esse ataque, ver se o (problema) está atendido por esse desenvolvimento (que já está em curso). E no menor tempo possível, é uma prioridade, colocar no ar essa nova versão que garanta mais segurança ao sistema — prometeu. A TI passou a madrugada trabalhando nessa avaliação do que ocorreu, como o grupo fez a invasão do sistema. Governos estaduais também se manifestaram. Em São Paulo, a gestão estadual informou que não foi responsável pelo envio da mensagem e afirmou que não havia qualquer situação que justificasse um alerta extremo. A administração paulista disse ainda que acionou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e os demais órgãos envolvidos na operação da ferramenta para apurar o incidente. No Rio de Janeiro, a Defesa Civil estadual afirmou que o aviso não partiu de seus sistemas e atribuiu o problema a uma falha na plataforma nacional. O órgão ressaltou que não havia risco relacionado a desastres naturais que justificasse uma comunicação emergencial aos moradores fluminenses. No Paraná, onde foram relatados os primeiros disparos, o governo estadual informou que não emitiu o alerta e que não havia previsão de fenômenos meteorológicos severos capazes de justificar o acionamento da ferramenta. A palavra “misantropia” passou a ser buscada por muitos brasileiros após aparecer no falso alerta. Segundo o dicionário Michaelis, o termo define a qualidade de quem demonstra rejeição ou desconfiança em relação à natureza humana. Também pode ser usado para descrever pessoas que evitam o convívio social ou preferem o isolamento.
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