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Em menos de um mês, duas propostas legislativas suscitaram um importante debate sobre a regulação de ultraprocessados na América Latina. No Brasil, o projeto de lei 2599/26, protocolado na Câmara dos Deputados pelo deputado Paulo Teixeira (PT/SP), propõe incluir a identificação de alimentos ultraprocessados e de adoçantes nas regras de rotulagem frontal já vigente —a chamada "lupa". Na Colômbia, o Ministério da Saúde abriu consulta pública para adotar um alerta explícito na parte frontal das embalagens. Os dizeres nesse caso são "advertência: ultraprocessado".
Durante a 79ª Assembleia Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde do Brasil liderou, com Uruguai, México e França, um evento paralelo para discutir impactos dos ultraprocessados na saúde e defender maior coordenação internacional, especialmente em publicidade, rotulagem e ambientes alimentares, como escolas. Esses movimentos refletem e traduzem na prática evidências científicas consolidadas, por exemplo, na série especial da "The Lancet" (2025) sobre o assunto. Elas enfatizam a urgência de enfrentamento da disseminação desses produtos por meio de instrumentos regulatórios articulados.
Ultraprocessados são formulações industriais feitas principalmente de substâncias extraídas ou derivadas de alimentos, com pouca ou nenhuma matriz alimentar preservada, às quais se somam ingredientes que não encontramos nas cozinhas (como emulsificantes, aromatizantes, corantes e realçadores de sabor), utilizados para conferir aparência, textura, sabor e conveniência.











