Ausente do streaming, filme de Maurício Shermann e Victor di Mello retrata a corrupção e a manipulação de jogos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O cartaz do filme 'Copa 78 - O poder do futebol', dos brasileiros Maurício Shermann e Victor di Mello — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 20:03 Documentário "Copa 78" expõe corrupção e é ausente no streaming O documentário brasileiro "Copa 78 — O poder do futebol", de Maurício Shermann e Victor di Mello, permanece ausente das plataformas de streaming. O filme retrata a corrupção e manipulação nos bastidores da Copa de 1978, realizada na ditadura argentina. Com foco nos interesses políticos e comerciais, a obra contrasta com o filme oficial "Campeones". A ausência no streaming impede o público de formar opinião sobre seu conteúdo controverso. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em tempos de streaming, ficou até fácil — quer dizer, nem tanto para quem quer apenas ver um jogo e não tem tanta intimidade com o formato; são vários os relatos de pessoas que assistiram gato por lebre — ou, pelo menos, prático: em qualquer direção que se olhe, lá está um documentário, série, longa, média, curta sobre o universo das Copas do Mundo. “A saga do tri”, em cartaz na Netflix, é um dos sucessos do momento, ao lado de “A greve da seleção da França”, sobre a campanha dos Bleus em 2010, na África do Sul, de documentários sobre os títulos brasileiros de 1994, 2002, sobre o bruxo Ronaldinho Gaúcho e outros. Quem não se satisfizer com quatro jogos por dia pode se refestelar com tanta informação disponível. Mas, como é comum no universo do streaming, nem tudo está disponível, nem seria possível. Por que alguns malucos seguem guardando DVDs, fitas de VHS, CDs, LPs e até cassetes de áudio em casa? Porque são malucos e gostam de poeira, é claro — mas também porque nem tudo o que essas mídias falidas contêm está ao alcance de um controle remoto. Nessa categoria dos filmes “difíceis” está, por exemplo, “Les yeux dans les Bleus” (“Os olhos dentro dos Bleus”, em tradução livre), de Stéphane Meunier, que conta a história da França campeã em 1998, e “Copa 78 — O poder do futebol”, dos brasileiros Mauricio Sherman e Victor di Mello, lançado no ano seguinte a respeito da Copa realizada em plena ditadura argentina e vencida pelos hermanos. “Filme polêmico, antes mesmo de ser exibido”, começava O GLOBO no domingo, 7 de outubro de 1979, na coluna “As estréias (que ainda tinham acento) da semana”, infelizmente sem assinatura. O texto conta que uma empresa brasileira havia adquirido os direitos, “exclusivos e mundiais”, para registrar a competição, mas que os profissionais contratados, Paulo César Saraceni e Maurice Capovilla, tinham sido substituídos pela dupla que acabou assinando a obra. “Além das partidas, o filme focaliza os bastidores do futebol mundial, os interesses políticos e comerciais e a manipulação dos jogos por parte dos juízes e jogadores”. Oi? Que filme oficial é esse que mostra interesses políticos e manipulação de jogos? Pois é. Existe um filme de fato oficial, “Campeones”, do inglês Howard Fanning — disponível em excelente cópia no site da Fifa (Fifa.com), de graça. Já “Copa 78 — O poder do futebol” não se encontra em streaming algum (talvez em versão pirata no YouTube, mas não com o nome oficial). Uma criança apaixonada por futebol pode ficar decepcionada com um filme sobre uma Copa do Mundo um tanto sombrio (o pôster meio 007, meio Boca do Lixo, dá uma pista (spoiler: nenhum jogador é misteriosamente assassinado), com personagens que não mostram o rosto, embora, é claro, estejam lá astros argentinos como Kempes, Ardiles e Passarella, brasileiros como Rivellino, o carrasco italiano Paolo Rossi e outros. Mas o interesse principal do filme é mostrar o contexto em que a Copa acontece, em plena ditadura militar argentina, sob protestos e com resultados como os 6 a 0 dos donos da casa sobre o Peru, que os levaram à final, com um saldo de oito gols, contra cinco do Brasil de Cláudio Coutinho. Na primeira fase, o Peru tinha vencido seu grupo, o 4, à frente da Holanda, que chegaria à final contra a Argentina. Mas, quando precisaram de saldo, os hermanos sapecaram 6 no goleiro Ramón Quiroga — que, por coincidência, é nascido em Rosario, mesma cidade em que aconteceu a partida, no estádio Gigante de Arroyito. Conspiração? Coincidência? Bom futebol? Só as plataformas de streaming poderão dar ao público a chance de chegar a uma opinião, quando disponibilizarem o filme.
Futebol e política: o sumido documentário brasileiro sobre a Copa de 1978
Ausente do streaming, filme de Maurício Shermann e Victor di Mello retrata a corrupção e a manipulação de jogos








