Quando o Brasil proibiu o financiamento empresarial de campanhas eleitorais, em 2015, havia uma crença geral de que ali estaria a raiz da corrupção política brasileira e, cortá-la, era necessário para a purificação da política. Naquela mesma época, eu e Daniel Falcão, escrevemos na Folha o contrário disso, entendemos que essa mudança não resolveria o problema, apenas trocaria "os móveis de lugar, mas a casa continuaria bagunçada".

Passaram-se dez anos e, infelizmente, a corrupção não parece ter acabado, nem o caixa dois desaparecido. Além disso, ganhamos um fundo eleitoral que pode passar de R$ 5 bilhões com dinheiro público.Não é a primeira vez que se discute a mudança do modelo de financiamento de campanhas eleitorais no Brasil, até 1993 adotávamos o modelo de financiamento público, mas diante dos escândalos de corrupção e da queda do ex-presidente Collor, o Legislativo decidiu transformar o proibido em permitido e autorizou as doações empresariais, pretendendo dar mais transparência e legalizar esta prática que já estava há tempos enraizada na política brasileira.

Passados mais de vinte anos com o financiamento misto (privado e público), em 2015, o STF a partir de uma ação da OAB, decidiu ao contrário do que fizemos em 1993, passando a proibir as doações empresariais nas eleições na busca de acabar com a corrupção.