Em Vila Franca de Xira, a Casa do Alpendre nasceu de um contexto pouco idílico. “Além da heterogeneidade que existe em todos os loteamentos — era uma casa de cada nação —, tínhamos aquele pavilhão gigante todo revestido em chapa ondulada”, explica ao P3 o arquitecto Vasco Burnay. Mas o que parecia uma condicionante acabou por tornar-se uma das ideias centrais do projecto.
O arquitecto resgatou a estética do pavilhão para a cobertura do telhado: mas, ao invés de uma chapa verde, optou por um tom creme. A ideia foi utilizar “um material absolutamente industrializado” e tentar dar-lhe “um pendor mais doméstico e mais bonito”.
A casa — fotografada por Ivo Tavares — é de tijolo com estrutura de betão, o isolamento do exterior é em capoto e os pavimentos são em betão afagado, à excepção dos quartos em soalho de pinho. Tal como a escolha dos materiais, também o cor-de-rosa surgiu de uma “perspectiva economicista”: “Se não temos dinheiro para fazer uma casa de mármore vamos, pelo menos, através da tinta dar uma piada à casa, uma personalidade, e destacá-la.”
O formato em “L” resultou de duas intenções principais: aumentar a área de jardim e manter “o arquétipo de uma casa tradicional”, com o telhado de duas águas e uma fachada em triângulo. “A partir do momento em que queremos libertar o miolo [do lote] e queremos dar uma frente de rua convencional, só nos sobra esta solução do 'L'”, explica.








