Foi ao lado do maior cemitério do Porto, no lugar de uma antiga oficina de automóveis, que António Cruz quis “revisitar o imaginário industrial”. Agora concluído, o projecto da casa unifamiliar reúne elementos industriais e componentes naturais para construir o estilo “norte-americano” que os clientes procuravam.

O antigo armazém, brinca o arquitecto, era “basicamente um barraco”. Sem a possibilidade de reabilitar o prédio, passou então a trabalhar no projecto de uma nova construção. “Foi um desafio engraçado pensar como é que seria criar um ambiente de um loft, fugindo um bocado aos dogmas da arquitectura convencional”, conta o arquitecto e fundador do estúdio António Bessa Cruz Architect.

O projecto combina materiais como betão, madeira escura, ferro e tijolo maciço. Com “amplos pés direitos e o open space da sala, ligado com a cozinha” o arquitecto trouxe à Boavista a “onda industrial” pretendida.

No entanto, apesar do estilo norte-americano, o loft não tem vista para o Central Park. Localizado bem à frente do cemitério de Agramonte, um dos desafios do projecto foi justamente fechar a casa para a “vista que não interessava” da rua e, ao mesmo tempo, manter uma “relação contínua entre interior e exterior”.