Eleições 2026

A fase mais recente da Operação Compliance Zero embaralhou a estratégia eleitoral em torno do escândalo do Banco Master. Até aqui, o caso vinha sendo um problema mais incômodo para a direita, pela densidade das relações políticas, pessoais e financeiras entre Daniel Vorcaro e figuras do campo bolsonarista ou de seu entorno. A ofensiva contra Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e um dos quadros mais graúdos do PT, muda esse cenário — não porque reescreva a natureza política do escândalo, mas porque leva o desgaste para a antessala do Palácio do Planalto.

Wagner tornou-se o primeiro aliado do núcleo de Lula a ser alvo de buscas na investigação. A Polícia Federal suspeita que vantagens econômicas tenham sido destinadas ao senador por meio de empresas ligadas ao seu núcleo familiar e da aquisição de um apartamento em Salvador. O senador nega irregularidades.

No PT, a ordem é tentar impedir que as suspeitas respinguem em Lula. Uma ala petista defende que Wagner deixe a liderança do governo no Senado para reduzir o custo político da crise. O senador, porém, desconversa. Lula, amigo de Wagner há décadas, ainda não se pronunciou publicamente sobre o caso.

Já o PL tenta explorar a chegada da investigação ao entorno de Lula, mas precisa separar Flávio Bolsonaro de um banqueiro a quem ele chamou de “irmão”, visitou durante sua prisão domiciliar e de quem teria obtido 134 milhões de reais para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. A proximidade entre os dois tornou-se um escândalo que fez derreter nas pesquisas a candidatura do senador.