Um usuário da Polymarket perdeu quase US$ 9 milhões em uma aposta errada no jogo da Bélgica e Egito Disputa de bola entre o jogador Pavel Sulc, da Tchéquia, e Relebohile Mofokeng, da África do Sul, durante partida pelo grupo A da Copa do Mundo da Fifa, em Atlanta, Geórgia (EUA) — Foto: Brett Davis/Reuters A Copa do Mundo está transformando os mercados de previsão em um registro público de apostas milionárias, expondo grandes vitórias e perdas dramáticas, à medida que o torneio atrai mais dinheiro para o setor em rápido crescimento. Mais de US$ 5 bilhões foram negociados na Copa do Mundo na bolsa internacional da Polymarket e na Kalshi, regulamentada nos EUA, em 2026, de acordo com uma análise da Bloomberg News com base em dados da Dune Analytics e registros da empresa. O boom gerou vencedores multimilionários e algumas perdas dolorosas, incluindo uma aposta errada na vitória da Bélgica sobre o Egito, que custou a um usuário da Polymarket quase US$ 9 milhões. As apostas oferecem uma visão em tempo real dos riscos e recompensas potenciais de um setor que vai além das eleições e eventos econômicos, chegando aos esportes tradicionais. Elas também mostram por que os mercados de previsão são melhor compreendidos, por alguns usuários, como uma forma de entretenimento em vez de uma maneira de ganhar dinheiro. A competição de 104 jogos está ganhando impulso, com mais partidas da fase de grupos e as fases eliminatórias ainda por vir. A Copa do Mundo e as finais da NBA já impulsionaram a Kalshi para sua primeira sequência de três dias consecutivos com volumes diários de negociação acima de US$ 1 bilhão, afirmou o CEO Tarek Mansour em um evento da Bloomberg na terça-feira (16). "Tudo o que estamos vendo até agora durante a Copa do Mundo sugere que os mercados de previsão continuam em uma trajetória de crescimento agressivo", disse Chris Grove, analista da Eilers & Krejcik Gaming. As principais plataformas não são as únicas a se beneficiarem. A DraftKings, que expandiu para os mercados de palpites em 2025, afirmou que o último fim de semana foi o melhor em contratos para eventos até o momento — superando até mesmo o Super Bowl em fevereiro. O número total de clientes aumentou mais de 200% em comparação com o fim de semana anterior, segundo uma publicação da DraftKings nas redes sociais, enquanto o volume cresceu 100% no mesmo período. A possibilidade de oferecer mercados de previsão em estados americanos onde as apostas esportivas tradicionais são proibidas, como Califórnia e Texas, permitiu que empresas de jogos de azar como a DraftKings atingissem consumidores que antes não conseguiam alcançar, de acordo com Jordan Bender, analista de pesquisa de ações do setor de jogos da Citizens. Tanto a DraftKings quanto a Kalshi investiram pesado em campanhas publicitárias em mídias sociais e na TV para conquistar novos clientes. A DraftKings está veiculando anúncios que destacam seu "aplicativo esportivo" como disponível em todo o país, enquanto a Kalshi está trabalhando com atletas renomados para o torneio, incluindo o meio-campista croata Luka Modrić e o argentino Lionel Messi. "Basicamente, o fenômeno que está acontecendo aqui é que virou uma bagunça", disse Bender. Muito dinheiro A relativa transparência de algumas bolsas de mercados de previsão oferece uma visão rara dos tipos de apostas que as pessoas estão fazendo na Copa do Mundo, permitindo visibilidade da atividade de apostas de uma forma que não é possível em sites de jogos de azar tradicionais. Lucros não são a norma. Uma pesquisa de Bender e seus colegas da Citizens descobriu que os clientes de varejo em mercados de previsão normalmente perdem dinheiro a longo prazo e têm um desempenho pior do que os apostadores que usam casas de apostas esportivas. Das 20 apostas mais lucrativas em toda a bolsa da Polymarket fora dos EUA nos últimos sete dias, apenas duas não estavam relacionadas à Copa do Mundo, de acordo com registros da empresa e do blockchain. Além dos resultados das partidas, os usuários podem apostar em quem ganhará a Chuteira de Ouro de artilheiro (o francês Kylian Mbappé é o favorito) e se o presidente Donald Trump comparecerá à final (87% dizem que sim). A aposta mais lucrativa da Copa do Mundo na Polymarket até agora foi feita por uma conta com o apelido "GRIMDRIP", que transformou US$ 6 milhões em US$ 13,6 milhões com duas apostas na República Tcheca contra a África do Sul. Outro usuário, “mintblade”, dobrou seu dinheiro com uma aposta de US$ 7 milhões de que o Irã não venceria a Nova Zelândia. Uma conta conhecida como “endlessFate”, que ganhou US$ 5,6 milhões com a partida entre Arábia Saudita e Uruguai, faturou outros US$ 2,7 milhões apostando na vitória da Colômbia sobre o Uzbequistão. O histórico do usuário é misto, tendo registrado um prejuízo de US$ 1,2 milhão com a aposta no empate entre Estados Unidos e Paraguai na semana passada. Esses dados nem sempre fornecem o quadro completo. Os usuários podem operar várias contas na Polymarket e podem ter registrado perdas em outros lugares que não são imediatamente visíveis. A Polymarket não realiza verificações de identidade em sua plataforma internacional, o que dificulta a identificação de outras posições. Os investidores também podem proteger seus investimentos por meio de negociações em outras plataformas onde a atividade individual é ocultada, como casas de apostas esportivas tradicionais e plataformas de mercado de previsão regulamentadas nos EUA.