Levantamento, realizado majoritariamente antes da assinatura do memorando, mostrou que cerca de dois terços dos adultos nos EUA desaprovam a forma como o presidente está lidando com Teerã O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante a cerimônia de assinatura de uma ordem executiva sobre votação por correio, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, em 31 de março de 2026 — Foto: REUTERS/Evan Vucci/Foto de Arquivo A maioria dos americanos desaprovam a forma como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem lidado com o Irã, de acordo com uma nova pesquisa AP-Norc divulgada nesta sexta-feira (19), que foi majoritariamente realizada antes da assinatura do acordo com a República Islâmica. Apesar das negociações e da postura mais pragmática adotada por Trump, o levantamento mostrou que aproximadamente dois terços (65%) dos adultos nos EUA desaprovam a forma como o presidente está lidando com as questões relacionadas ao país persa. A pesquisa, além disso, pôs em evidência que o apoio à condução do conflito por Trump se mantém fortemente dividido pelos segmentos partidários: enquanto a ampla maioria dos democratas e independentes vê as ações de Trump de forma negativa, apenas 28% dos republicanos estão insatisfeitos. No mesmo sentido, a sondagem sugere que a maioria dos americanos quer que a atuação no Irã chegue ao fim. Mesmo com um acordo já no horizonte, 53% dos adultos americanos disseram que a ação militar americana contra o regime dos aiatolás “foi longe demais”, apenas uma leve queda em relação aos 59% registrados em março. Entre os republicanos, porém, cerca de 4 em cada 10 disseram, na pesquisa mais recente, que a atuação foi “adequada”, e 37% afirmaram que ela não foi longe o suficiente. Já sobre Israel, aproximadamente um terço (34%) dos adultos americanos aprova a forma como Trump está lidando com o país aliado. As tensões entre o americano e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e Trump, têm aumentado à medida que o chefe da Casa Branca e o vice-presidente, J.D. Vance, têm feito fortes críticas aos recentes ataques israelenses no Líbano, que colocaram em risco as negociações entre Washington e Teerã. A avaliação dos americanos sobre a condução do presidente em relação ao Irã acompanha, de modo geral, sua popularidade. 37% aprovam o desempenho de Trump como presidente, índice estável em relação ao levantamento da AP-Norc de maio. A pesquisa, realizada entre 11 e 17 de junho, ocorreu em um momento marcado pela reviravolta na postura de Trump em relação ao Irã, quando o presidente abandonou as ameaças de escalada militar, anunciou um acordo com Teerã e autorizou o fim do bloqueio naval americano no Estreito de Ormuz. A pesquisa foi concluída pouco antes da assinatura do acordo, na quarta-feira. No campo da economia, cerca de um terço dos adultos americanos aprova as medidas de Trump nesse tema, em linha com os números do mês passado. Até mesmo alguns republicanos têm sido mais céticos sobre a condução econômica do presidente – um sinal preocupante para Trump, que, com frequência, se orgulha de sua habilidade nos negócios. Apenas 69% dos republicanos aprovam a forma como ele está lidando com a economia, ligeiramente abaixo dos 78% que aprovam sua atuação como presidente de maneira geral. Patricia Bailey, uma republicana de 42 anos de Parkersburg, na Virgínia Ocidental, disse à Associated Press que vê uma economia em que “os preços saíram do controle” “Eu disse outro dia à noite que pedir pizza é coisa de gente rica”, afirmou. Bailey votou em Trump, mas acrescentou que o republicano tem a decepcionado. “Acho que ele ficou tão distraído com a guerra que acabou esquecendo algumas promessas antigas”, acrescentou na declaração à agência. Os americanos já vinham, nos últimos meses, apresentando baixa aprovação às ações da Casa Branca frente ao conflito no Oriente Médio, principalmente, após o aumento dos preços dos combustíveis nos EUA, provocado pelo fechamento do Estreito de Ormuz. A situação gerou, inclusive, a preocupação de republicano em meio à aproximação das eleições de meio de mandato. Os partidários de Trump também se mostraram insatisfeitos com o resultado do acordo desta semana, por acreditarem que o memorando de entendimento alcançado concede benefícios imediatos ao Irã, permitindo que o país volte a vender seu petróleo livremente. Somado a isso, o documento prevê a reabertura do estreito sem cobrança de pedágios por dois meses, a retomada das negociações entre Washington e Teerã sobre o futuro do programa nuclear iraniano, com a previsão de que a República Islâmica prevê dilua seu estoque de urânio altamente enriquecido a mais de 60%.
Aprovação de Trump sobre o Irã é baixa mesmo com acordo preliminar, diz pesquisa
Levantamento, realizado majoritariamente antes da assinatura do memorando, mostrou que cerca de dois terços dos adultos nos EUA desaprovam a forma como o presidente está lidando com Teerã











