Enquanto se voltava a temer um retrocesso na aproximação entre Teerão e Washington, depois de os iranianos cancelarem a viagem à Suíça para o início de uma ronda negocial no resort de Bürgenstock, o polémico ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, voltou nesta sexta-feira ao X para incendiar os ânimos e defender mais ataques contra o Líbano.“Todo o Líbano deve arder!”, escreveu o mesmo governante da extrema-direita que festejou com champanhe a aprovação de uma lei que prevê o regresso da pena de morte a Israel, mas só para palestinianos que sejam acusados de participar em ataques letais contra israelitas.“Por cada lágrima de uma mãe israelita, mil mães libanesas devem chorar. Com todo o respeito pelos norte-americanos, Israel tem de deixar claro ao mundo inteiro que o sangue dos nossos filhos e a segurança dos nossos cidadãos não são moeda de troca. Todo o Líbano deve arder”, declarou o ministro, no dia em que foi noticiada a morte de quatro soldados israelitas no Sul do Líbano (onde cerca de 25 pessoas terão também morrido em ataques das forças israelitas) em ataques do Hezbollah.Na quinta-feira, o embaixador de Israel nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, tinha assegurado que o país pretendia respeitar o cessar-fogo entre Israel e o Líbano enquanto o Hezbollah não o violasse, mas, esta sexta-feira, as Forças de Defesa de Israel anunciaram que atacaram combatentes e infra-estruturas do movimento pró-iraniano durante a noite devido a “violações repetidas do cessar-fogo”.Já a emissora libanesa pró-Hezbollah Al Manar TV noticiava que as mortes dos quatro soldados israelitas aconteceram quando o movimento estava a “repelir tentativas israelitas de avançar para as zonas de Ali Al-Taher e Kfar Tibnit, na região de Nabatieh”, o que só demonstra como os dois lados da contenda estão longe de voltar a baixar as armas.“Chega deste jogo de pingue-pongue. No Médio Oriente, não se vence com respostas comedidas e contenção — é preciso enlouquecer. Aniquilar. Esmagar o terrorismo”, afirmou nesta manhã Ben-Gvir, um dos governantes mais extremistas de Israel e um a quem foram seguramente dirigidas as palavras do vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, quando criticou a forma como alguns membros do gabinete de Benjamin Netanyahu procuram minar o acordo entre EUA e o Irão.Na quinta-feira, o vice-presidente norte-americano apontou o dedo aos críticos israelitas, dizendo que Israel “tem de acordar para a realidade” de um mundo em que está cada vez mais isolado.“Donald J. Trump é o único chefe de Estado em todo o mundo que, neste momento, demonstra simpatia para com a nação de Israel”, afirmou Vance em conferência de imprensa. E acrescentou: “Se eu fizesse parte do Governo israelita, talvez não estivesse a atacar o único aliado poderoso que me resta.”Vance também frisou que os ataques israelitas contra civis em Beirute “não são toleráveis”.Ben-Gvir, que recentemente esteve no centro das atenções mundiais pelo tratamento que deu a activistas de uma flotilha humanitária destinada à Faixa de Gaza, respondeu no X às ferroadas de Vance com o comentário de que a única proposta dos israelitas sobre este tema era “lidar com os nazis do século XXI exactamente da mesma maneira que os EUA lidaram com os nazis do século XX”.Mas o ministro (um dos quais depende a coligação que mantém o primeiro-ministro Netanyahu no poder) não foi o único político israelita a exigir nesta sexta-feira o redobrar das hostilidades no Líbano.Avigdor Lieberman, líder do partido Yisrael Beiteinu (Israel Nossa Casa), uma das principais figuras da direita em Israel, também usou o X para apelar ao primeiro-ministro e ao ministro da Defesa, Israel Katz, para atacarem os subúrbios a sul de Beirute, o conjunto de bairros na zona conhecida como Dahiyeh, que é considerada um reduto do Hezbollah.“Se, depois deste trágico acontecimento, em que quatro combatentes morreram e famílias foram destruídas, Dahiyeh continua de pé, isso constitui um fracasso directo do primeiro-ministro e do ministro da Defesa”, escreveu Liberman na rede social.
“Todo o Líbano deve arder”, diz o ministro israelita Ben-Gvir
O ministro da Segurança Nacional de Israel defende que os ataques ao Líbano devem ser reforçados.













