Sob o pretexto da autodefesa e da resposta aos ataques do Hezbollah, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, garantiu, nesta segunda-feira, que Israel irá intensificar os bombardeamentos no Líbano, aumentando o receio na população libanesa de estar face a nova escalada do conflito, numa altura em que continuam as negociações entre Washington e Teerão para pôr fim à guerra com o Irão.O primeiro-ministro israelita afirmou, num vídeo divulgado no Telegram, que o país está está “em guerra com o Hezbollah” e que os ataques vão aumentar, apesar de estar, desde 16 de Abril, um cessar-fogo em vigor entre Israel e o Líbano.Segundo vários meios de comunicação israelitas, o exército recebeu ordens directas do Governo de Netanyahu para aumentar a pressão militar sobre aquelas que julgam ser as posições do Hezbollah no Sul do Líbano, em particular nos arredores de Beirute. O Jerusalem Post avança ainda que Israel terá tentado, nos últimos dias, atingir por duas vezes Naim Qassem, secretário-geral do Hezbollah.Nas redes sociais circulam vídeos e fotografias que mostram longas filas de trânsito e milhares de pessoas a abandonar a zona de Dahiya, nos subúrbios a sul de Beirute, em reacção às declarações de Netanyahu. Fontes de segurança libanesas contactadas pela Reuters disseram que a população receia a repetição dos bombardeamentos massivos que atingiam a capital antes do início da trégua de Abril.Apesar do acordo de cessar-fogo, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) mantiveram os soldados destacadas em várias zonas do Sul do Líbano e os ataques aéreos, apesar de em menor número, continuaram naquilo que Israel insiste serem contra posições militares do Hezbollah. Segundo a Reuters, Israel voltou a bombardear a região do vale do Bekaa na segunda-feira.Um desse ataques, mais especificamente na localidade de Mashghara, provocou pelo menos 11 mortos. O Ministério da Saúde do Líbano confirmou, citado pela Al Jazeera, que entre as vítimas mortais estão duas meninas e uma mulher. Pelo menos 15 pessoas ficaram feridas, inclusive uma criança e as equipas de resgate continuam a trabalhar para procurar possíveis sobreviventes entre os escombros. Segundo a National News Agency, do Líbano, o mesmo ataque destruiu vários edifícios residenciais.Segundo um balanço da Reuters, pelo menos 608 pessoas morreram no Líbano, vítimas de ataques israelitas, desde o início da trégua. No mesmo período, o Hezbollah terá lançado ataques de drones contra posições militares das IDF.A tensão bélica também se sente no discurso político. O ministro das Finanças israelita disse que “por cada drone explosivo, dez edifícios devem cair em Beirute”. Bezalel Smotrich voltou a defender a anexação do Sul do Líbano e de Gaza.Também Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional israelita, voltou a apelar a uma escalada militar. Instou Israel a não deixar que se normalizasem os ataques de drones e pediu ao primeiro-ministro para pressionar Donald Trump a autorizar o regresso dos ataques em força contra o Líbano. Segundo o Asharq Al-Awsat, Ben-Gvir sugeriu ainda o corte do fornecimento da electricidade no Líbano e que se assumisse o controlo do rio Zahrani.Uma fonte oficial iraniana contactada pela Al Jazeera indicou também que os Estados Unidos continuam a apoiar os ataques israelitas contra Beirute, o que poderá comprometer os esforços diplomáticos em curso para resolver a crise mais alargada no Médio Oriente. De acordo com o think tank norte-americano Quincy Institute for Responsible Statecraft alguns líderes iranianos chegaram inclusive a ameaçar atacar os Emirados Árabes Unidos caso Israel intensifique os bombardeamentos no território libanês.As declarações ameaçadoras de Netanyahu chegam numa altura em que os EUA e o Irão pareciam aproximar-se de um possível entendimento diplomático. Donald Trump tinha até admitido, na sua rede social, que as negociações estavam a correr bem. No entanto, numa chamada telefónica com o primeiro-ministro israelita, terá concordado que Netanyahu mantém todo o direito de confrontar as ameaças em todas as frentes, indica a Reuters. Mesmo sobre Teerão, apesar do elogio, Trump disse não ter problemas em retomar os ataques se as negociações não chegarem a um acordo brevemente.