O Exército de Israel realizou bombardeios nesta quinta-feira (28) contra a quarta maior cidade do Líbano, em uma ofensiva que deixou ao menos 14 mortos no sul do país. Mais tarde, os militares israelenses também informaram ter conduzido um ataque aéreo contra um subúrbio ao sul de Beirute. As ações ampliam a escalada de bombardeios de Tel Aviv contra o Hezbollah às vésperas de conversas consideradas decisivas em Washington. As Forças Armadas de Israel não informaram de imediato qual era o alvo do bombardeio realizado na tarde desta quinta-feira em Choueifat, subúrbio ao sul de Beirute. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram uma coluna de fumaça branca saindo de uma área residencial próxima ao aeroporto internacional da capital libanesa. No início de maio, outro ataque israelense contra a periferia de Beirute matou um integrante das forças de elite Radwan, braço militar do Hezbollah. Entre os mortos na onda mais recente de ataques estavam cinco mulheres e crianças, além de um soldado libanês. Dezenas de outras pessoas ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde do Líbano e a Agência Nacional de Notícias, administrada pelo Estado libanês. Um soldado israelense também morreu no norte de Israel após um ataque de drone do Hezbollah. Nesta semana, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ameaçou uma escalada de ataques israelenses no sul do Líbano, em retaliação ao uso de drones explosivos de fibra óptica pelo Hezbollah, responsáveis por atingir tropas israelenses no sul do Líbano e no norte de Israel. Representantes militares de Israel e do Líbano devem se reunir nos próximos dias em Washington para suas primeiras negociações de segurança desde o início da atual escalada. As conversas ajudaram a sustentar um cessar-fogo anunciado em 17 de abril pelos EUA, apesar de os confrontos terem continuado e até se intensificado nas últimas semanas. O Hezbollah, que é contra as conversas, porém, tratou as negociações com ceticismo e reiterou apoio ao Irã, seu principal aliado regional. Teerã tem condicionado a implementação de um acordo de paz com os Estados Unidos ao encerramento da guerra em território libanês. Horas antes da nova onda de bombardeios, o porta-voz em árabe das Forças Armadas israelenses, Avichay Adraee, publicou avisos de evacuação para oito edifícios localizados em Tiro e em áreas vizinhas da cidade costeira no sul do Líbano. Após os alertas, moradores deixaram a região às pressas. Já o Hezbollah afirmou ter realizado dezenas de ataques com foguetes e drones contra tropas israelenses posicionadas no sul do Líbano e no norte de Israel. O grupo disse ainda ter atacado soldados e tanques israelenses que cruzaram o rio Litani em direção à localidade de Zawtar al-Sharqieh, perto de Nabatiyeh, onde os combates continuam em curta distância. Ao menos 3.269 pessoas morreram em ataques de Israel desde o início da guerra contra o Hezbollah, segundo o Ministério da Saúde libanês, e mais de 9.800 ficaram feridas. Além disso, mais de um milhão de libaneses foram deslocados. A troca de hostilidades foi iniciada quando o grupo xiita lançou foguetes contra o norte de Israel em 2 de março, em solidariedade ao Irã, dois dias após o início da guerra iraniana. Segundo o gabinete de Netanyahu, ao menos 23 soldados israelenses e um contratado da área de defesa morreram no sul do Líbano ou nas proximidades, além de dois civis mortos no norte de Israel — a grande maioria em ataques com drones. Uma coluna de fumaça se eleva do sul do Líbano após ataques israelenses, vista de Nabatieh, Líbano, em 28 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer