0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Daniel Vorcaro após dar entrada no sistema prisional — Foto: Reprodução Desde que a segunda proposta de delação de Daniel Vorcaro foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, já aconteceram o tenso julgamento da prisão de Henrique e Felipe Vorcaro e até uma nova etapa da operação que mirou o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Mas o destino do dono do Master, que está preso na superintendência da Polícia Federal em Brasília, segue indefinido. Segundo fontes a par das discussões de bastidor, o relator do caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, tem indicado que vai decidir na semana que vem onde Vorcaro deve ficar. A questão é que, após o fracasso do acordo de colaboração, essa se tornou uma tarefa complexa. O argumento de Mendonça para transferir Vorcaro em março da penitenciária federal de Brasília para a superintendência foi o de que ele precisaria ter condições de se reunir com os advogados para elaborar a proposta de delação. Agora que não existe mais negociação, em tese ele deveria deixar a PF. Essa é inclusive a preferência do comando da PF, que alega não ter estrutura adequada para receber um preso permanente. Mas a tendência é que Mendonça mantenha Vorcaro onde está, principalmente em razão da preocupação com sua segurança. A interlocutores, o relator do Master tem dito que preservar a integridade física de Vorcaro é essencial para o avanço das investigações, mesmo sem delação. Paira sobre o caso a sombra do suicídio de Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, que se matou na cela da PF em Belo Horizonte (MG) em março, logo após ser preso. Por ser destinada a líderes de facções criminosas e outros presos de alta periculosidade, a penitenciária federal tem um esquema reforçado de vigilância. Mas enviar Vorcaro para lá poderia dar munição à ala do Supremo mais crítica às investigações, capitaneada pelo ministro Gilmar Mendes, que poderia aproveitar o episódio para reforçar o discurso de que o relator está tentando forçar uma delação ao colocá-lo em um presídio excessivamente rigoroso. Já numa cela comum da Papuda, no complexo penitenciário administrado pelo governo do Distrito Federal, o perigo seria outro: não ter condições de garantir a segurança do potencial delator num sistema prisional bem mais vulnerável. Papudinha Outra possibilidade também rejeitada é a transferência de Vorcaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar, que fica dentro do complexo da Papuda e é conhecido como “Papudinha”. Nesse caso o problema é que já está lá outro potencial delator do caso Master: o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro de propinas recebidas do Banco Master para aprovar as compras de carteiras fraudulentas. O presídio oferece aos detentos condições melhores do que o resto do complexo prisional de Brasília, com chuveiro quente, cozinha, geladeira, armários e TV. Mesmo assim, como Vorcaro e Costa estão em negociação com a PF e a PGR, o ideal é que se mantenham em locais distintos – e na Papudinha não está totalmente descartado o risco de contato entre os dois. Na PF, Vorcaro está numa sala de 12 m², com frigobar e cama de casal, a mesma que Jair Bolsonaro ocupou após danificar a sua tornozeleira eletrônica, em novembro do ano passado. Ao que tudo indica, a menos que se encontre uma alternativa que contemple todos os requisitos necessários para abrigar Vorcaro, essa deve acabar se tornando sua “ residência permanente”.
O destino de Daniel Vorcaro em meio ao impasse de delação
O destino de Daniel Vorcaro em meio ao impasse de delação
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