Xeque Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, conselheiro de segurança nacional, desempenhou papel fundamental em mudança de postura de Abu Dhabi em relação a Teerã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Xeque Tahnoon bin Zayed Al Nahyan (à esquerda) e o presidente dos EUA, Donald Trump (à direita) — Foto: Escritório de mídia de Abu Dhabi RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 22:31 Xeque Tahnoon: Diplomacia Estratégica com o Irã Protege Emirados O xeque Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, figura chave nos Emirados Árabes Unidos, desempenha papel crucial na redução de tensões com o Irã. Como conselheiro de segurança e líder de um império econômico de R$ 7,7 trilhões, Tahnoon é um diplomata estratégico, cultivando relações diretas com o Irã e promovendo a estabilidade regional. Seus esforços visam proteger a economia diversificada dos Emirados de choques geopolíticos, destacando sua habilidade em equilibrar interesses econômicos e segurança. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O xeque Tahnoon bin Zayed Al Nahyan é mais conhecido como o chefe de negócios de fato da rica família governante de Abu Dhabi e o homem à frente de um império de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,7 trilhões). Nos bastidores, ele assumiu outro papel: o de emissário diplomático encarregado de ajudar a reconstruir o relacionamento dos Emirados Árabes Unidos com o Irã. Nos três meses desde o início da guerra regional, a postura inicialmente agressiva de Abu Dhabi deu lugar a uma abordagem mais pragmática, baseada no engajamento com seu vizinho maior. O xeque Tahnoon, também conselheiro de segurança nacional dos Emirados Árabes Unidos, desempenhou um papel fundamental nesse processo, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram para não serem identificadas por se tratar de assuntos privados. O membro da família real, irmão do governante de Abu Dhabi, o xeque Mohamed bin Zayed, ajudou a cultivar canais diretos com os líderes iranianos, mantendo laços estreitos com governos ocidentais e aliados regionais, disseram as fontes. “A política externa dos Emirados Árabes Unidos é orientada pela promoção da desescalada e redução das tensões em toda a região, ao mesmo tempo que promove a paz e a estabilidade duradouras”, segundo um comunicado de um funcionário dos Emirados Árabes Unidos. “Os Emirados Árabes Unidos apoiam os esforços, incluindo os empreendidos pelos Estados Unidos, para proteger os povos da região das repercussões do conflito.” Em 2021, o xeque Tahnoon tornou-se o funcionário de mais alto escalão dos Emirados Árabes Unidos em mais de uma década a visitar Teerã. A viagem fez parte de um esforço diplomático mais amplo dos Emirados Árabes Unidos para restabelecer laços em toda a região, incluindo com a Turquia e o Catar. Cinco anos depois, ele retomou esse papel e está no centro de uma mudança drástica. Os Emirados Árabes Unidos sofreram mais ataques iranianos do que qualquer outro país desde o início da guerra no final de fevereiro, o que levou o xeque Mohamed a emitir um raro alerta público aos “inimigos do país”. Abu Dhabi atacou o Irã em múltiplas ocasiões nas semanas seguintes, adotando a postura mais agressiva entre seus vizinhos árabes em relação à República Islâmica. Embora a grande maioria dos ataques com mísseis e drones do Irã tenha sido interceptada, eles mataram cerca de uma dúzia de pessoas nos Emirados Árabes Unidos e causaram bilhões de dólares em danos a portos, instalações petrolíferas e hotéis. Os Emirados Árabes Unidos recusaram-se a iniciar negociações até que o Irã cessasse os ataques, segundo uma fonte familiarizada com o assunto. Quando os ataques pararam, autoridades de segurança nacional de Abu Dhabi e Teerã realizaram uma reunião presencial pela primeira vez desde o início da guerra. Esta semana, os EUA e o Irã assinaram um memorando de entendimento que estende o cessar-fogo por cerca de dois meses, período durante o qual devem negociar um fim definitivo à guerra. O acordo prevê a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã, uma via crucial para as exportações dos Emirados Árabes Unidos. “Os Emirados Árabes Unidos enfatizam a importância do cumprimento integral dos termos do memorando de entendimento e moldarão seu relacionamento futuro com o Irã à luz dos resultados do futuro acordo”, afirmou a autoridade dos Emirados Árabes Unidos em comunicado. Desconfiança em relação ao Irã A realidade da imensidão e proximidade do Irã — um país com 90 milhões de habitantes e um dos maiores exércitos do mundo, situado do outro lado do Golfo Pérsico — exige pragmatismo, disse outra pessoa familiarizada com o assunto. Ainda assim, acrescentou, a relação provavelmente levará anos para se normalizar, dada a extensão dos ataques iranianos. — Os Emirados Árabes Unidos sabem que não podem confiar no Irã — afirmou Robert Mogielnicki, fundador e diretor da Polisphere Advisory, com sede em Paris, e pesquisador não residente do Instituto dos Estados Árabes do Golfo. — Mas existe a sensação de que não dialogar com o Irã pode acarretar custos muito altos, especialmente considerando a forma como as negociações entre EUA e Irã estão se desenrolando. Os estados árabes sunitas do Golfo desconfiam profundamente do Irã, uma potência xiita que mantém um governo teocrático desde a revolução de 1979. Contudo, países como os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita intensificaram os esforços para estabilizar as relações nos últimos anos e instaram os EUA a não iniciarem uma guerra com o Irã. Os esforços mais recentes dos Emirados Árabes Unidos têm um significado que vai muito além da diplomacia. Para Abu Dhabi, a mudança reflete o desejo de proteger sua transformação econômica de choques geopolíticos, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. Na última década, os Emirados Árabes Unidos diversificaram sua economia, deixando de depender do petróleo, e se estabeleceram como um centro financeiro, de inteligência artificial e de investimentos globais. Agora, o país se tornou uma das fontes de capital mais importantes do mundo para empresas de private equity e fundos de hedge, tornando a estabilidade regional uma prioridade crescente para Wall Street. Poucas pessoas foram tão centrais nesse esforço quanto o xeque Tahnoon. Por meio de uma rede de fundos soberanos e empresas de investimento, ele supervisiona instituições que se tornaram alguns dos principais veículos para a aplicação do capital de Abu Dhabi em todo o mundo. Ao longo do caminho, ele forjou relacionamentos com muitos dos maiores nomes do mundo dos negócios, consolidando ainda mais seu papel como a interseção entre as ambições econômicas do emirado e sua política externa. O xeque Tahnoon “é geralmente considerado uma das figuras mais astutas e pragmáticas nos círculos de tomada de decisão dos Emirados”, disse Mira Al Hussein, pesquisadora associada da Universidade de Edimburgo. — Seu perfil cresceu significativamente por meio de seu papel na gestão da reaproximação com o Catar após o bloqueio, algo que muitos emiratis consideraram importante e necessário — destacou. Sem dúvida, o poderoso governante de Abu Dhabi permanece em destaque. O xeque Mohamed esteve na França esta semana, onde recebeu elogios do presidente dos EUA, Donald Trump. O príncipe herdeiro do emirado, xeque Khaled bin Mohamed, recebeu recentemente seu próprio império financeiro e se reuniu com o presidente Xi Jinping na China, em abril. Os esforços diplomáticos do xeque Tahnoon durante o conflito geralmente passaram despercebidos. Um sinal inicial de seu envolvimento ocorreu no final do mês passado, quando o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, conversou com o membro da família real dos Emirados para discutir a coordenação de esforços para apoiar a mediação “com o objetivo de reduzir a tensão”. Após semanas de negociações frenéticas, foi o Catar que emergiu como o interlocutor-chave para selar um acordo entre os EUA e o Irã. O primeiro-ministro do Catar informava regularmente o xeque Tahnoon e seu irmão, o ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, xeque Abdullah bin Zayed, sobre as negociações, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Juntamente com o xeque Tahnoon, que teria defendido uma abordagem pragmática e focada nos negócios, autoridades de Dubai e Sharjah — dois dos sete emirados que compõem os Emirados Árabes Unidos — também argumentaram a favor de uma mudança de rumo na reconstrução das relações, segundo fontes familiarizadas com o assunto. Dubai, em particular, consolidou-se como um refúgio para empresas estrangeiras e expatriados, ostentando segurança e proteção, atributos que enfrentaram ameaças significativas quando as cidades emiradenses foram alvejadas por projéteis de Teerã. Os governos de Dubai e Sharjah não responderam imediatamente aos pedidos de comentários da Bloomberg. Nos primeiros dias da guerra, alguns profissionais se mudaram, apreensivos com os alertas de confinamento e os frequentes ataques de mísseis e drones. Quase todos os projéteis foram interceptados e as pessoas começaram a retornar aos escritórios nas últimas semanas. Ainda assim, a guerra representou um desafio significativo para as economias do Golfo, ameaçando fluxos de receita que vão do turismo às exportações de energia e colocando em risco os esforços de diversificação que se tornaram essenciais para o futuro da região. Poucas figuras estão tão intimamente ligadas a essa agenda quanto o xeque Tahnoon. O membro da família real, que também é um dos vice-governantes de Abu Dhabi e conselheiro de segurança nacional dos Emirados Árabes Unidos, supervisiona instituições que vão desde a MGX, investidora em inteligência artificial, até alguns dos maiores veículos de investimento do emirado. Essa rede o coloca no centro da máquina de negociações de Abu Dhabi e de sua busca para se tornar um polo global de tecnologia e finanças. Esses esforços ajudaram a construir uma rede de relacionamentos que abrange capitais como Teerã, Ancara, Cairo e Washington. À medida que Abu Dhabi busca proteger suas ambições econômicas da turbulência regional, o Sheikh Tahnoon tem se tornado cada vez mais a figura encarregada de promover ambos os lados da equação: atrair capital e gerenciar os riscos geopolíticos que possam ameaçá-la. — Para muitos observadores emiratis que acompanham de perto o cenário, Tahnoon representa o diplomata experiente e sensato — pontuou Al Hussein, da Universidade de Edimburgo. Sua “capacidade de manter canais de comunicação com diversos atores, como a Arábia Saudita e o Irã, apesar das tensões recentes, demonstra suas habilidades diplomáticas e perspicácia política”.
Quem é o homem de R$ 7,7 trilhões que atua para reduzir a tensão entre Emirados Árabes e Irã
Xeque Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, conselheiro de segurança nacional, desempenhou papel fundamental em mudança de postura de Abu Dhabi em relação a Teerã






