Dor no peito, arritmias e até mesmo ataques cardíacos podem estar relacionados às emoções intensas que grandes eventos esportivos despertam 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O atacante brasileiro número 7, Vinicius Junior, comemora o primeiro gol de sua equipe durante a partida do Grupo C da Copa do Mundo de 2026 entre Brasil e Marrocos, no Estádio Nova York/Nova Jersey — Foto: Jewel SAMAD / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 15:02 Médicos alertam para riscos cardíacos na Copa do Mundo 2026 Especialistas do Hospital San Vicente Fundación, na Colômbia, alertam sobre os riscos cardiovasculares durante a Copa do Mundo de 2026. Emoções intensas podem desencadear ataques cardíacos e arritmias, especialmente em pessoas com histórico de doenças cardíacas. Além das emoções, comportamentos comuns como consumo excessivo de álcool e falta de sono também aumentam os riscos. Recomenda-se atenção aos sintomas e manutenção de hábitos saudáveis. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Após o início da Copa do Mundo de 2026, especialistas do Hospital San Vicente Fundación, em Medellín, na Colômbia, chamaram a atenção para um aspecto pouco visível para os milhões de fãs que acompanham esse esporte: o impacto que emoções intensas podem ter na saúde cardiovascular. Enquanto milhares de pessoas se preparam para vivenciar cada partida com expectativa, tensão e euforia, especialistas nos lembram que a ligação entre emoções fortes e problemas cardíacos tem sido amplamente documentada pela ciência nas últimas décadas. Eles explicam que situações associadas a eventos esportivos de alta intensidade emocional podem aumentar o risco de ataques cardíacos, arritmias e outras emergências cardiovasculares, especialmente em pessoas com histórico de doenças cardíacas ou outros fatores de risco. O alerta surge num momento em que milhões de fãs em todo o mundo se reúnem em frente às telas para assistir a jogos, comemorar gols e sofrer com finais apertados. Embora expressões como "morrer de emoção" sejam frequentemente usadas coloquialmente, evidências científicas mostram que episódios de estresse e euforia extremos podem ter efeitos reais no corpo. Segundo Jairo Gandara Ricardo, cardiologista clínico, durante um jogo vivenciado com grande intensidade emocional, o corpo ativa mecanismos fisiológicos semelhantes aos desencadeados diante de uma ameaça real. — Quando uma pessoa vivencia uma partida com alta intensidade emocional, o corpo ativa mecanismos semelhantes aos desencadeados por uma ameaça real. Hormônios do estresse são liberados, aumentando a frequência cardíaca, elevando a pressão arterial e gerando alterações que podem afetar o funcionamento normal do coração — explica o especialista. De acordo com o médico, diversos estudos realizados durante grandes campeonatos internacionais demonstraram um aumento nos eventos cardiovasculares associados a esses contextos esportivos. Entre as constatações citadas pelo especialista, destaca-se um aumento significativo nas emergências cardiovasculares, incluindo ataques cardíacos e arritmias, durante um torneio internacional realizado em 2006. De forma semelhante, outro campeonato muito assistido revelou um aumento de 3,7% nas hospitalizações por ataques cardíacos durante a competição. A maior taxa de mortalidade hospitalar foi registrada no dia da final, enquanto o número de pacientes hospitalizados por esse motivo foi superior ao observado nos mesmos períodos dos anos anteriores e posteriores ao torneio. Como explicam especialistas, pessoas com doenças cardíacas preexistentes são o grupo mais vulnerável, uma vez que tanto o estresse quanto a euforia podem desencadear eventos cardiovasculares complexos. Um dos exemplos mais representativos dessa relação entre emoções e coração é a chamada síndrome do coração partido, cientificamente conhecida como cardiomiopatia de Takotsubo. Essa condição é caracterizada por uma diminuição temporária da capacidade de bombeamento do coração, que geralmente ocorre após episódios de intenso estresse emocional ou físico. Embora seja geralmente reversível, pode produzir sintomas muito semelhantes aos de um infarto agudo do miocárdio (ataque cardíaco). Entre os sinais mais frequentes estão dor no peito, falta de ar e anormalidades detectáveis ​​em exames cardíacos. Devido a essa semelhança clínica, os especialistas enfatizam a importância de procurar atendimento médico imediato caso esses sintomas apareçam. Um dos aspectos mais marcantes dessa condição é que ela pode ser desencadeada não apenas por emoções negativas. Evidências científicas também demonstraram que a alegria extrema pode produzir respostas fisiológicas semelhantes. A comemoração de um gol decisivo, uma classificação inesperada ou uma vitória conquistada nos minutos finais de uma partida pode desencadear reações cardiovasculares tão intensas quanto as causadas por situações de angústia ou tensão. — Para o coração, não importa se a emoção vem da alegria ou da preocupação. O que realmente importa é a intensidade com que o corpo vivencia aquele momento — apontam os especialistas. No entanto, os médicos alertam que o risco cardiovascular durante as partidas não se deve apenas às emoções. Hábitos comuns associados ao acompanhamento de eventos esportivos podem aumentar ainda mais o esforço sobre o sistema cardiovascular. Isso inclui consumo excessivo de álcool, tabagismo, abuso de bebidas energéticas ou cafeína, falta de sono e interrupção de tratamentos médicos previamente prescritos. Gandara aponta que esses comportamentos podem intensificar os efeitos do estresse e da euforia no coração, aumentando o risco de complicações, especialmente em pessoas com pressão alta, histórico de doenças cardíacas ou transtornos de ansiedade. Portanto, ele recomenda manter os exames médicos em dia, seguir corretamente os tratamentos prescritos e evitar excessos durante a temporada de Copa do Mundo. Especialistas também enfatizam a importância de reconhecer os sinais de alerta prontamente. Dor no peito, falta de ar, palpitações intensas, sudorese excessiva, tontura ou perda de consciência são sintomas que exigem avaliação médica imediata e não devem ser atribuídos apenas ao nervosismo ou à empolgação do jogo. Com uma temporada que promete muita emoção para milhões de torcedores, o Hospital San Vicente Fundación Medellín lembrou a todos que curtir o futebol e cuidar da saúde cardiovascular não são objetivos excludentes. A recomendação é vivenciar cada partida com entusiasmo, mas sem negligenciar hábitos saudáveis ​​ou ignorar os sinais do corpo. Porque, além do resultado de qualquer partida, concluem os especialistas, a verdadeira vitória reside em cuidar do coração.