Quando os Estados Unidos e Israel começaram a bombardear o Irã, em 28 de fevereiro, jornalistas de todo o mundo sabiam que era muito importante fazer uma cobertura in loco. Mas também tínhamos consciência de que o Irã é um país notoriamente fechado a jornalistas, com um histórico de repressão à liberdade de imprensa.
Comecei a tentar obter um visto de imprensa para entrar no Irã poucos dias depois do início do conflito.
A princípio, o governo iraniano resolveu conceder vistos apenas a TVs. O repórter Caco Barcellos, da TV Globo, foi um dos primeiros a entrar no Irã em guerra em abril, ao lado de outras equipes de TVs.
Mas não desistimos. Insisti diariamente por diversos canais. Em meados de maio, tive uma sinalização positiva da embaixada do Irã. Os diplomatas apostavam na importância de ter um olhar alternativo aos grandes veículos americanos e europeus para retratar o impacto da guerra. A Folha foi o primeiro jornal do mundo a obter o visto de imprensa para entrar regularmente no Irã após o início da guerra.
Ao fim da batalha do visto, começava uma nova epopeia: a logística. Após semanas de espaço aéreo iraniano fechado, a Iran Air retomou alguns voos. Mas, por causa das inúmeras sanções internacionais em vigor contra o país, agências de turismo não conseguiam comprar as passagens.













