Na Bienal de 1993, Marcos Acayaba apresentou um trabalho chamado ­Protótipo. Nele, o professor aposentado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) tratava da aventura arquitetônica que vivenciava, desde 1986, na Serra do Guararu, reserva de Mata Atlântica no extremo leste da Ilha de Santo Amaro – que abriga o Guarujá.

Ali, havia exercitado a busca de soluções para construir casas que não ocupassem o lugar das árvores e que parassem de pé em terrenos marcados por aclives e declives, e sujeitos, ainda, à frágil estabilidade dos costões rochosos da Serra do Mar.

As experiências reunidas no Protótipo acabariam por dar origem a um projeto ousado: a Casa Acayaba (1996), em Tijucopava, feita para a própria família. Ela se ergue 80 metros acima do nível do mar e é sustentada sobre três pilares de concreto. Graças à forma hexagonal, encaixa-se entre as árvores. De dentro, parece suspensa sobre a floresta.

Essa é uma das 23 casas que, ao longo de 40 anos, Acayaba projetou nas praias de Tijucopava, São Pedro, Iporanga e Taguaíba – todas no topo da Serra do Guararu. Do alto delas, vê-se o mar.

“Nunca derrubou uma árvore para fazer o que sonhava”, escreve Marlene Acayaba, sua mulher, também arquiteta e organizadora do livro Arquitetura e Natureza, 23 Casas na Serra do Guararu, lançado no sábado 13 no Solar Fábio Prado, em São Paulo. Essa frase condensa o sentido central da publicação: mostrar de que forma a arquitetura pode buscar a harmonia com a preservação ambiental.