Mais de uma década depois do avanço da extrema-direita na Europa, o movimento político reacionário consegue pautar e ditar uma parcela substancial do debate migratório no Velho Continente. Num acerto entre os partidos ultraconservadores e a direita tradicional, as três principais instituições da UE – a Comissão Europeia, o Conselho Europeu e o Parlamento Europeu – fecharam um pacto para ampliar as deportações e criar, no exterior, centros para a prisão de estrangeiros.

O avanço da agenda, ainda que sem a estridência de Donald Trump, repete as políticas do republicano ao ampliar os controles sobre as fronteiras e colocar os refugiados e imigrantes como foco do debate da sociedade.

O pacote ainda precisa ser votado por governos nacionais e pelo Parlamento Europeu. Mas ganha o apoio tanto de partidos xenófobos que usam o ódio ao estrangeiro como arma de mobilização quanto de parte da direita tradicional, desesperada para não desaparecer diante da força dos extremistas. “A nova regulamentação acelerará o processo de retorno e aumentará o retorno de pessoas que não têm o direito legal de permanecer na UE”, afirmou Nicholas ­Ioannides, vice-ministro da Migração do Chipre, que detém a presidência rotativa do bloco de 27 nações. Um dos argumentos é de que, entre aqueles expulsos da União Europeia, apenas 28% retornam aos países de origem.