A indicação do Professor Marcio Pochmann para o IBGE suscitou uma avalanche de críticas disparadas dos arraiais que abrigam os que se pretendem “vigilantes” da boa e verdadeira Ciência Econômica. Esta percepção de excelência científica encarregou-se de atribuir a Pochmann a inquinação de “ideológico.”

A economia é uma (vá lá) ciência difícil. Keynes dizia que os requerimentos exigidos do bom economista eram muitos: ele deveria combinar os talentos do “matemático, historiador, estadista e filósofo (na medida certa). Deve entender os aspectos simbólicos e falar com palavras correntes. Deve ser capaz de integrar o particular quando se refere ao geral e tocar o abstrato e o concreto com o mesmo voo do pensamento. Deve estudar o presente à luz do passado e tendo em vista o futuro. Nenhuma parte da natureza do homem deve ficar fora da sua análise. Deve ser simultaneamente desinteressado e pragmático: estar fora da realidade e ser incorruptível como um artista, estando embora, noutras ocasiõe­s, tão perto da terra como um político”.

A economia é um sistema complexo. Autor do livro Decoding ­Complexity: Uncovering Patterns of Economic ­Complexity, James Glattfelder escreve no preâmbulo:

“A característica dos sistemas complexos é que o Todo exibe propriedades que não podem ser deduzidas das Partes individuais. Em suma, a teoria da complexidade trata de investigar como o comportamento macro decorre da interação entre os elementos do sistema.”