A Raízen está no meio da maior recuperação extrajudicial da história corporativa brasileira numa situação que desafia qualquer análise apressada. O conglomerado atua em um dos setores mais promissores da economia e ainda assim acumula dívidas que o obrigaram a pedir socorro aos credores. A aprovação de 75,45% deles, no início de junho, de um plano de reestruturação de 65 bilhões de reais encerra uma fase e abre outra, talvez mais exigente. O que ficou para trás é uma história de apostas simultâneas, capital barato que ficou caro e um conselho que não desafiou as premissas com rigor suficiente.
A empresa nasceu superlativa. Criada em 2011 como joint venture entre a Cosan, de Rubens Ometto, e a anglo-holandesa Shell, estreou na Bolsa de Valores uma década depois, avaliada em 76 bilhões de reais. Rapidamente se tornou a maior produtora de açúcar e etanol do País. O setor tinha vento a favor. A frota flex crescia, a mistura de etanol anidro à gasolina subiria e o E2G, etanol de segunda geração produzido a partir do bagaço da cana, prometia combustível de baixíssima emissão com alto valor no mercado de créditos de carbono, sem contar no potencial para a aviação. A Raízen foi pioneira nessa tecnologia no Brasil. Sua planta em Bonfim recebeu investimentos de 1,2 bilhão de reais e atingiu capacidade de 82 milhões de litros por ano. O plano original previa 20 unidades e 1,6 bilhão de litros anuais até 2030.











