PUBLICIDADE 'Não se trata de boato, nossa oferta está na mesa', afirma sócio do fundo. Produtora de açúcar e etanol está em recuperação extrajudicial, com dívidas de R$ 65 bilhões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 No início deste mês, a Raízen obteve aprovação de seus credores para reestruturar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, na maior recuperação extrajudicial da história do Brasil — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/06/2026 - 10:21 IG4 Capital planeja adquirir dívida da Raízen para controle majoritário O fundo IG4 Capital afirma ter capital para comprar toda a dívida da Raízen, produtora de açúcar e etanol em recuperação extrajudicial, para controlar 50,1% da empresa. A Raízen, com dívidas de R$ 65 bilhões, enfrenta dificuldades devido a apostas estratégicas malsucedidas e altas taxas de juros. O IG4 planeja respeitar o plano de reestruturação aprovado e quer liderar a reestruturação, oferecendo opções aos credores. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O fundo de private equity IG4 Capital disse ter capital suficiente para comprar integralmente em dinheiro toda a dívida da produtora de açúcar e etanol Raízen, se necessário, para obter o desejado controle — ou seja, uma fatia acionária de 50,1% na empresa. — Não se trata de um boato de mercado; nossa oferta está na mesa, estamos negociando e podemos oferecer uma saída imediata para quem estiver interessado — afirmou o sócio-fundador do IG4, Paulo Mattos, em entrevista. No início deste mês, a Raízen obteve aprovação dos credores para reestruturar cerca de R$ 65 bilhões (US$ 12,8 bilhões) em dívidas, na maior recuperação extrajudicial da história do Brasil. A empresa, controlada conjuntamente pela Shell e pela Cosan, vem enfrentando dificuldades em razão de uma série de apostas estratégicas malsucedidas, das elevadas taxas de juros e de safras abaixo do esperado. Pelo plano aprovado, a Raízen converterá 45% de sua dívida em aproximadamente 80% de participação acionária (equity). O IG4 tem até março do próximo ano para adquirir a dívida e respeitará o plano de reestruturação já aprovado, disse Mattos. A gestora não planeja uma abordagem hostil em relação aos credores ou acionistas, e todos os termos, incluindo o preço, serão negociados. Ele acrescentou que os preços de aquisição provavelmente ficarão abaixo dos valores de mercado. Mattos disse que o IG4 quer assumir o controle da Raízen e montar uma equipe de reestruturação, e não apenas oferecer aos credores consultoria ou estruturas de fundos. Ele afirmou que a base de credores está muito fragmentada e com conflitos de interesse, o que impediria o funcionamento da reestruturação sem um investidor líder. O IG4 planeja alocar as ações que obtiver por meio da compra da dívida em um fundo de investimento, oferecendo aos credores a opção de receber dinheiro, cotas do fundo ou derivativos vinculados a uma futura venda, disse ele. — As negociações estão mais avançadas com alguns bancos individualmente, e uma parte relevante deles quer ações do fundo, enquanto outros pedem derivativos — disse Hélio Novaes, CEO do IG4. — Já estamos discutindo preço e volume com esses bancos — afirmou ele. O IG4 já manteve conversas informais com a FTI Consulting, que assessora bancos; a Moelis, que assessora detentores de títulos de dívida globais; e a Journey Capital, que assessora detentores de títulos locais, segundo Novaes. A partir desta quarta-feira, a gestora planeja se reunir individualmente com esses representantes para discutir detalhes, ouvir suas necessidades e preparar uma proposta para cada um. As negociações estão apenas começando e o IG4 ainda não sabe se conseguirá comprar dívida suficiente para fechar o negócio. — Parece que grande parte dos detentores de títulos locais e globais prefere receber em dinheiro — acrescentou Novaes. Alguns credores se mostraram céticos e confusos em relação à oferta, em parte porque o IG4 já está gerenciando uma reestruturação complexa na petroquímica Braskem e porque não sabem exatamente quais termos serão oferecidos a eles. Mattos disse que o IG4 é independente do BTG Pactual, refutando a confusão do mercado sobre o relacionamento entre as duas empresas. O BTG, assim como o Bradesco e o Santander, é um dos credores e investidores do IG4, mas não tem poder de decisão e não receberá tratamento especial, disse. — Somos uma gestora completamente independente — afirmou. A Raízen possui 32 usinas, das quais 24 estão em operação, segundo Novaes. — Precisaremos fazer um estudo detalhado para determinar quais devem receber investimentos e quais não — disse ele, acrescentando que os indicadores de produtividade da empresa estão bem abaixo dos concorrentes e poderiam ser melhorados para agregar valor. De acordo com o plano de reestruturação aprovado, a Raízen será dividida em duas: a produtora de açúcar e etanol e a distribuidora de combustíveis. Ainda não há definição de quanto da dívida será alocado a cada empresa ou qual será o valor de cada negócio. A distribuidora será vendida, segundo o plano. O valor de mercado da Raízen é agora de R$ 4,35 bilhões, o que significa que 80% da empresa valem cerca de R$ 3,48 bilhões. Esse é o valor que os credores que detêm pouco mais de R$ 29 bilhões em dívidas receberiam se seus créditos já tivessem sido convertidos em ações e vendidos a preços de mercado.
IG4 diz ter capital para comprar em dinheiro toda a dívida da Raízen e assumir controle da empresa
'Não se trata de boato, nossa oferta está na mesa', afirma sócio do fundo. Produtora de açúcar e etanol está em recuperação extrajudicial, com dívidas de R$ 65 bilhões








