PUBLICIDADE Empresário, cuja holding tem hoje 44% da empresa em dificuldades, está otimista com a reestruturação da dívida de R$ 65 bilhões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Caminhão da Shell se prepara para abastecer no centro de distribuição da Raízen, em São Paulo — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/06/2026 - 17:59 Raízen Avança em Recuperação Extrajudicial com Apoio de Credores e Investimento da Shell Rubens Ometto, controlador da Cosan, está otimista com a recuperação extrajudicial da Raízen, que enfrenta R$ 65 bilhões em dívidas. A empresa, que controla a rede de postos Shell, chegou a um acordo com credores representando 80,15% do total. O plano prevê a conversão de 45% da dívida em participação acionária, enquanto o restante será refinanciado. A Shell investirá mais R$ 3,5 bilhões, e Ometto poderá investir R$ 500 milhões adicionais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan, disse nesta segunda-feira que o processo de recuperação extrajudicial da Raízen, com R$ 65 bilhões em dívidas, “está indo muito bem”. A fabricante de açúcar e etanol e distribuidora de combustíveis, que controla a rede de postos com a marca Shell, pediu recuperação extrajudicial em março. Neste mês, chegou a um acordo com os credores mais relevantes, que somam 80,15% do total. O plano converte 45% da dívida em participação acionária. Hoje, a Cosan e a petroleira anglo-holandesa Shell têm 44% cada da Raizen. Os 12% restantes estão nas mãos de acionistas minoritários. Os 55% restantes da dívida serão refinanciados como novas dívidas, como informou a companhia em fato relevante. Haverá ainda “a implementação de medidas estruturais adicionais, incluindo segregação de ativos, avanço na agenda de desinvestimentos e reorganizações societárias”. A Shell investirá mais R$ 3,5 bilhões na empresa, e Ometto tem a opção de aplicar diretamente (não via Cosan) mais R$ 500 milhões. A Raízen foi criada como um joint venture (parceria) entre Cosan, tradicional produtora de açúcar e etanol de Ometto, e a Shell, após a empresa brasileira comprar, no início dos anos 2000, a distribuidora de combustíveis e a rede de postos com a extinta marca Esso, que marcou a saída da ExxonMobil desse segmento no Brasil. Com um pesado plano de investimentos na produção de etanol de segunda geração, produzido a partir da celulose da palha e o bagaço da cana, e não apenas do caldo, a Raízen acabou em problemas por causa do excesso de endividamento. — A companhia é muito boa, muito forte, gera caixa, é organizada, não tem falcatrua nenhuma. Ela tem um problema de estrutura de capital que está sendo resolvido — afirmou Ometto a jornalistas, após participar de evento pelo aniversário de 74 anos do BNDES, na sede do banco, no Rio. Ometto confirmou que a reestruturação incluirá a separação das duas principais unidades de negócios da Raízen: fabricação de açúcar e etanol, de um lado, distribuição de combustíveis, de outro: — Essa é a ideia, separar a parte de geração de energia da distribuição de combustíveis. É estratégico porque o pensamento dos investidores é diferente. Quando fizemos aquilo, queríamos verticalização e complementação. O que notamos hoje é que, entre os investidores de mercado, têm os que preferem distribuição, têm os que preferem energia. O empresário negou ainda que sua remuneração como membro e presidente do Conselho de Administração da Raízen. Nesta segunda-feira, o colunista do GLOBO Lauro Jardim informou que, no plano de reestruturação, a companhia queria cortar a remuneração de R$ 90 milhões por ano de Ometto.