Investigadores dizem que senador manteve interlocução direta com o empresário Augusto Lima em meio a tramitação de propostas sobre crédito consignado e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e ainda durante a fiscalização parlamentar sobre a compra do Master pelo BRB 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Senador Jaques Wagner — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 09:51 Senador Jaques Wagner é Investigado por Favorecer Banco Master no Congresso A Polícia Federal investiga o senador Jaques Wagner por suposta atuação em favor do Banco Master no Congresso Nacional, em troca de vantagens indevidas. As suspeitas envolvem a apresentação de emenda sobre crédito consignado, tentativa de aprovar a PEC nº 65/2023 e fiscalização da compra do Master pelo BRB. Wagner teria recebido benefícios como uso de aeronaves e ingressos para shows no exterior. As investigações apontam relações próximas entre Wagner, o empresário Augusto Lima e familiares do senador. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Polícia Federal suspeita da atuação parlamentar do líder do governo no Senado, Jaques Wagner, em temas de interesse do Banco Master. Ao pedir para fazer buscas em endereços do senador, a corporação afirmou que o parlamentar manteve interlocução direta com o empresário Augusto Lima durante a tramitação de propostas, no Congresso Nacional, sobre crédito consignado e o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e ainda durante a fiscalização parlamentar sobre a compra do Master pelo Banco Regional de Brasília. Os investigadores suspeitam da atuação de Jaques em três momentos: a apresentação de emenda a uma Medida Provisória, editada em 2022, sobre o aumento da margem consignável da remuneração disponível para os trabalhadores regidos pela CLT, para os aposentados e pensionistas vinculados ao RGPS, com autorização para empréstimos e financiamentos por beneficiários do BPC e de outros programas federais de transferência de renda;na tentativa de aprovação da PEC nº 65/2023, com repercussões sobre o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC);na fiscalização da operação de potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB); A Polícia Federal aponta uma correlação entre tais atuações e supostas "vantagens econômicas indevidamente" recebidas pelo parlamentar, como o uso gratuito de aeronaves de Augusto Lima e do Banco Master; o recebimento de ingressos para shows no exterior de alto valor; a compra de um apartamento; e pagamentos à empresa vinculada a seu núcleo familiar. Segundo a corporação, a atuação de Jaques na pauta do crédito consignado, por exemplo, em 2022, ocorreu em "contexto temporal próximo" ao início de relações contratuais entre o Master e uma empresa da família do senador. Já durante a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição ligada ao FGC, a Polícia Federal identificou uma sequência de contatos entre o enteado de Jaques, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o chefe de gabinete do senador e o empresário Augusto Lima. Os investigadores dizem que em agosto de 2024, no dia em que uma emenda foi incluída na PEC, Augusto Lima ligou para Jaques por nove minutos e, em seguida, encaminhou ao parlamentar o link do texto. No contexto da fiscalização do Senado à compra do Master pelo BRB, a Polícia Federal destaca uma mensagem enviada por Augusto Lima a Jaques em março do ano passado. No texto, o empresário explicou os termos da operação e afirmou ao senador: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”. Para os investigadores, a frase indica que Jaques "não seria mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis" ao Master.