0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Senador Jaques Wagner, líder do governo, durante entrevista — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo A Polícia Federal apontou um repasse de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira Ltda., empresa ligada ao núcleo familiar do senador Jaques Wagner (PT-BA), que teria sido beneficiado por vantagens econômicas concedidas por pessoas ligadas ao Banco Master. O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou buscas e apreensões contra os investigados por suspeitas de crimes financeiros, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. Segundo a decisão, a PF considera Jaques Wagner o possível beneficiário central das vantagens investigadas. A suspeita é de que empresários ligados ao Banco Master, especialmente Augusto Ferreira Lima e Daniel Bueno Vorcaro, tenham mantido uma relação próxima com o senador e utilizado familiares, pessoas de confiança e empresas ligadas ao seu entorno para fazer pagamentos e viabilizar benefícios econômicos. A BN Financeira é descrita pela PF como uma empresa ligada ao núcleo familiar do senador. Os investigadores afirmam que Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Jaques Wagner, cobrava Augusto Ferreira Lima por pagamentos pendentes, mencionando boletos, notas fiscais e documentos que precisavam ser assinados. Em uma das conversas reproduzidas na decisão, Eduardo alertou que os vencimentos do dia seguinte eram elevados. Augusto respondeu que o cenário estava "crítico" e mencionou as dificuldades financeiras ao fracasso da operação envolvendo o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília). Segundo a PF, em 17 de outubro de 2025, a PKL One Participações S.A., empresa vinculada ao núcleo de Augusto Ferreira Lima e dirigida por Andrea Lima Novaes, transferiu R$ 3,5 milhões para a BN Financeira. Os investigadores também encontraram planilhas no celular de Daniel Lopes Monteiro com registros de pagamentos destinados a uma pessoa identificada como "Dudu", apelido que a investigação atribui a Eduardo Mendonça Sodré Martins. Os valores registrados superariam R$ 2,34 milhões. A decisão relata que a BN Financeira foi criada como uma microempresa, com capital social reduzido e aparente baixa capacidade operacional, apesar dos valores milionários movimentados. Por isso, a PF pretende analisar contratos, notas fiscais, registros bancários e documentos contábeis para verificar se houve prestação efetiva de serviços ou se a empresa foi utilizada para conferir aparência de legalidade aos repasses.