Investigações apontam que texto foi apresentado em 'contexto temporal próximo ao início das relações contratuais' entre banco e empresa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Senador Jaques Wagner — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 14:44 PF Investiga Jaques Wagner por Emenda que Favoreceria Banco Master A Polícia Federal investiga o senador Jaques Wagner (PT-BA) por apresentar uma emenda que beneficiaria o Banco Master, aumentando o teto de juros dos empréstimos consignados. A proposta, rejeitada pelo Congresso, surgiu em contexto próximo ao início das relações entre o banco e uma empresa ligada a Wagner. A PF aponta Wagner como beneficiário de vantagens econômicas do banco. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Polícia Federal (PF) indicou que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), apresentou e defendeu a aprovação de uma emenda a uma Medida Provisória que trata da ampliação da margem de empréstimos consignados. De acordo com o relatório da PF, citado na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que deu aval para uma operação mirando o senador, a proposta legislativa beneficiaria o Banco Master. Nesta quinta-feira, Wagner foi alvo de um mandado de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero. A emenda apresentada por Jaques Wagner tentou estabelecer um teto para a aplicação de juros sobre os empréstimos consignados. A sugestão visava proibir uma cobrança maior que “300% da taxa média de juros dos Certificados de Depósito Interbancário (CDI)”. Na prática, o teto dos juros aumentaria expressivamente, do patamar de 14% ao ano para 21%. “A atuação parlamentar de JAQUES WAGNER também é indicada como elemento de correlação. A representação aponta sua participação na pauta do crédito consignado, especialmente na Emenda nº 30 à MPV nº 1.106/2022, convertida na Lei nº 14.431/2022, em contexto temporal próximo ao início das relações contratuais entre o Banco Master e a BN FINANCEIRA LTDA., empresa de seu núcleo familiar”, consta na decisão do STF com base nas informações da PF. A emenda de Wagner foi feita em março de 2022, mesmo ano em que uma empresa de Bonnie Bonilha, nora do senador petista, começou a receber recursos do Master. De acordo com as investigações, a empresa da nora de Wagner recebeu R$ 11 milhões do Master de 2022 a 2025 para prospectar negócios ligados justamente ao crédito consignado, serviço oferecido pelo banco que está no centro do escândalo de fraude financeira. O pedido do senador petista não foi incluído na versão final do texto da MP que foi chancelado pelo Congresso, aprovado em julho de 2022. O relator da Medida Provisória era o senador Davi Alcolumbre (União-AP), hoje presidente do Senado. Apesar disso, a PF realçou o interesse de Jaques Wagner no tema e ressaltou que ele pediu aos parlamentares para o trecho ser aprovado ao apresentar a emenda. “Em que pese a referida emenda parlamentar tenha sido rejeitada pela Comissão Mista criada para apreciação da Medida Provisória nº 1.106, de 2022, a autoridade policial realça a justificação apresentada, por meio da qual o Senador ‘conclama expressamente os demais parlamentares à conversão da medida provisória em lei”, citou Mendonça em seu relatório com base nas informações da PF. Como mostrou a coluna da Malu Gaspar, do GLOBO, em outros sinais de atuação a favor do Master, a PF citou que o senador do PT também teria feito lobby no governo pela aprovação da compra do Master pelo Bando de Brasília (BRB) e no Senado pela aprovação de outra emenda, conhecida como “emenda Master”, que foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PI-PP) e propunha aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito para investimentos em CDBs. A emenda, também não aprovada, era direcionada a uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que mudava regras do Banco Central, e interessava diretamente ao Master porque seus negócios eram largamente lastreados em CDBs que rendiam acima das taxas médias do mercado. A PF também apontou que Jaques Wagner foi o "beneficiário central" de "vantagens econômicas" pagas por integrantes do Banco Master. Entre esses benefícios estão pagamentos de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, o uso de aeronaves ligadas ao Master e o ingresso para o camarote de um show internacional em Los Angeles que teria custado R$ 63,3 mil. Líder do governo no Senado, Wagner sempre negou ter qualquer relação com as “falcatruas” do Banco Master - como ele mesmo chamou o esquema de fraudes financeiras envolvendo a instituição financeira em fevereiro deste ano.
Jaques Wagner defendeu emenda sobre crédito consignado que beneficiaria Master, aponta PF
Investigações apontam que texto foi apresentado em 'contexto temporal próximo ao início das relações contratuais' entre banco e empresa















