Federal Reserve (Fed) manteve os juros inalterados na decisão de ontem, mas reforçou um tom cauteloso em relação à inflação Notas de dinheiro — Foto: Kim Hong-Ji/Reuters O dólar sobe no exterior e alcança o maior patamar em mais de um ano ante moedas de países desenvolvidos, impulsionado pela postura mais dura do Federal Reserve (Fed). Já a libra esterlina amplia as perdas após a decisão do Banco da Inglaterra (BoE), enquanto a desvalorização do iene segue pressionando autoridades japonesas a emitir novos alertas sobre a moeda. Por volta das 9h10, o índice DXY – que mede a relação entre o dólar e uma cesta de moedas de países desenvolvidos – avançava 0,70%, a 100,79 pontos. Nesse contexto, o euro recuava 0,38%, a US$ 1,14629; a libra caía 0,53% a US$ 1,32297; e o dólar subia 0,19% contra a moeda japonesa, negociado a 160,91 ienes. O Fed manteve os juros inalterados na decisão de ontem, mas reforçou um tom cauteloso em relação à inflação. “Com nove dos 18 membros do Fed realizando pelo menos um aumento de juros este ano, o Fed parece preparado para agir caso a inflação continue a se desviar na direção errada”, diz o ING, em nota. “A estreia de Kevin Warsh como presidente do Fed resultou em um achatamento da curva de juros de 10 pontos-base e um dólar mais forte.” No Reino Unido, a libra esterlina ampliou suas perdas e caiu para mínimas de dois meses e meio, após o BoE manter juros estáveis em 3,75% e adotar um tom cauteloso sobre a perspectiva de aperto monetário. O presidente do BoE, Andrew Bailey, afirmou que é apropriado tolerar temporariamente uma inflação acima da meta de 2% para evitar impactos excessivos sobre a atividade. Apesar dessa avaliação, dois membros do comitê de política monetária defenderam uma alta dos juros. Por fim, no Japão, o iene atingiu o menor nível frente ao dólar desde julho de 2024, apagando os ganhos obtidos após a intervenção cambial de Tóquio em abril. Diante da nova desvalorização, autoridades japonesas reiteraram que estão prontas para agir no mercado de câmbio, se necessário, para conter movimentos excessivos da moeda. O secretário-chefe do gabinete, Minoru Kihara, disse estar pronto para responder adequadamente às oscilações cambiais, conforme necessário, a qualquer momento.