Eles integraram a Academia Pérolas Negras, time de refugiados políticos, não só do Haiti 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Arcus Carlens é um dos jogadores formados no Rio de Janeiro — Foto: AFP Vini Jr. e companhia não devem, espero, ter muita dificuldade em vencer o Haiti, considerado uma das seleções mais fracas desta Copa do Mundo, no jogo de sexta-feira, dia 19, às 21h30. Embora tenha dois capítulos históricos memoráveis — foi a primeira nação livre da América Latina a se rebelar contra o domínio colonial francês, em 1804, e também a primeira república negra do mundo a abolir a escravidão —, hoje é um país miserável, dominado quase sempre por gangues de criminosos. Mas a história do futebol haitiano neste século tem a marca verde e amarela. Com o país vivendo uma guerra civil em 2004, a pedido da ONU o Brasil enviou ao Haiti uma força militar de paz, comandada pelo general Augusto Heleno, este mesmo, ministro de Bolsonaro, que vendeu a alma à causa da volta da ditadura por aqui. Foi nesse período, no dia 19 de agosto de 2004, que a seleção brasileira, então campeã do mundo, desembarcou no Haiti para o chamado "Jogo da Paz". O país literalmente parou, com cerca de 1 milhão de pessoas nas ruas para receber nossa seleção campeã do mundo. O então técnico Carlos Alberto Parreira, hoje com 83 anos e internado no Hospital Samaritano da Barra com problema de água nos pulmões, mesmo na época já tendo longo currículo no esporte, declarou depois desse amistoso no Haiti: "No futuro, quando me perguntarem qual foi a minha maior emoção no futebol, vou dizer que foi esta. Foi demais." Ainda em 2004, também a convite da ONU, a ONG brasileira Viva Rio começou a atuar no Haiti. Rubem Cesar Fernandes, na época diretor-executivo do Viva Rio, mudou-se para para lá e iniciou a colaboração entre o Brasil e o país caribenho. "E o início de tudo começou pelo futebol", lembra Rubem Cesar: "Começamos pelo fm da formação esportiva, os alunos da Academia frequentavam um programa educacional que incluía também fisioterapia, saúde e nutrição". Depois, conta Rubem Cesar: "Levamos nossa equipe sub-16 para a Copa do Mundo amadora da Noruega e fomos vice-campeões. Depois treinamos as seleções sub-17 e a adulta feminina em 2015. No ano seguinte, trouxemos a Academia Pérolas Negras para o Brasil com um time profissional e um sub-20, só de haitianos." Aqui no Brasil, em 2017, os Pérolas Negras foram campeões do que seria hoje a 5ª Divisão. O time masculino terminou evoluindo para a 2ª Divisão do Campeonato Carioca e também para a 2ª Divisão feminina nacional. Resultado Hoje, quatro atletas da atual seleção do Haiti, que enfrentará o Brasil, foram formados pela Academia. São eles: Josué Duverger (terceiro goleiro), Arcus Carlens (lateral-direito), Danley (meio-campista) e Derick Etienne (centroavante).