Ao lado de Vinicius Junior, Raphinha é uma das convicções de Carlo Ancelotti, que tenta preencher quebra-cabeça do até então bem resolvido no ataque da seleção brasileira 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Jogadores da seleção brasileira durante o último treinamento em Nova Jersey antes da viagem para a Filadélfia para jogo contra o Haiti — Foto: Rafael Ribeiro e Nelson Terme / CBF RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 23:16 Seleção Brasileira Enfrenta Crise Ofensiva: Raphinha em Foco Contra o Haiti A seleção brasileira enfrenta a crise ofensiva na Copa do Mundo ao buscar explorar a fragilidade do Haiti. Nove atacantes foram convocados, mas a incerteza persiste, com Raphinha em destaque ao lado de Vinicius Junior. Apesar de questionado, Raphinha é defendido por Ancelotti e se mantém crucial no esquema tático, enquanto a torcida clama por Endrick. A partida contra o Haiti é vista como uma oportunidade para superar dúvidas e críticas, especialmente em relação a Raphinha, que tem enfrentado resistência desde a Copa do Catar. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Nove atacantes convocados, incluindo Neymar como cereja do bolo. O setor que parecia mais bem servido e resolvido nas mãos de Carlo Ancelotti virou o grande dilema da seleção brasileira em plena Copa do Mundo. A equipe chega para o duelo de hoje, contra o Haiti, às 21h30, na Filadélfia, com mais dúvidas do que certezas na parte ofensiva. Além de Vinicius Junior, destaque no empate da estreia com o Marrocos, Raphinha ainda é a outra convicção de Ancelotti. O atacante do Barcelona, porém, é um dos focos de questionamento sobre o poderio ofensivo do Brasil, que vive uma espécie de crise de fartura e espera aproveitar a fragilidade do adversário para superar a desconfiança. E, se depender do treinador, o camisa 11, que não sairá para a entrada de outras soluções, segue intocável: — Raphinha pode jogar em todas as posições na frente. Jogou na direita, depois na esquerda, sempre jogou bem, e ele tem toda a confiança do mundo. Para mim, é um dos melhores jogadores do mundo — sentenciou Ancelotti, respaldado por alguns números. Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, em coletiva de imprensa na véspera do jogo com o Haiti — Foto: Rafael Ribeiro / CBF Mais intensidade que Vini Criticado pela atuação na estreia, Raphinha foi quem mais deu intensidade ao time, com 80 sprints acima de 20km/h e total de 11,7 quilômetros percorridos, líder no quesito. Vini, por exemplo, teve 20 sprints a menos e percorreu 10,1 quilômetros, mas atingiu velocidade máxima mais alta, 34,1km/h contra 33,1km/h, além de ter feito o gol de empate. Além disso, o mapa de calor do camisa 11 exibido pela Fifa mostra um jogador se movimentando por todos os espaços do setor ofensivo. Não houve, porém, chances claras. Só um chute no gol. Nos passes, o camisa 11 também pecou, com 66% de acertos. A versatilidade de Raphinha fez Ancelotti alterar o esquema com quatro atacantes para três homens de meio-campo, mas as peças bateram cabeça na estreia. Desde então, o técnico italiano ensaiou retomar o plano inicial e dobrar a aposta na convicção exibida ao longo de mais um ano no comando da seleção. E ela tinha como pilares do ataque Vini e Raphinha. O problema é que o jogador do Barcelona — ainda intocável — virou uma espécie de contraponto em relação aos jovens que aguardam chance, especialmente Endrick. Autor do gol do Brasil no empate da estreia com o Marrocos, Vinicius Junior é outro intocável de Ancelotti — Foto: Jewel SAMAD / AFP O 'anti-Endrick' O jovem de 19 anos poderia jogar como atuou no Lyon na última temporada e ocupar o lado direito, mas é ali que Raphinha costuma começar as partidas. Nos últimos dias, Ancelotti esboçou possibilidades para que Raphinha caia mais pela esquerda, como joga na Espanha, o que o faria se aproximar de Vini Jr. Do lado direito, Luiz Henrique foi observado no começo da semana, assim como Rayan. O italiano também revezou Igor Thiago, Matheus Cunha e Endrick por dentro. As peças no entorno se movem, e Raphinha segue sendo um coringa para que o Brasil renda mais coletivamente, o que o faz sofrer mais resistência da torcida, que quer chance para Endrick. Atacante Endrick em treino da seleção brasileira nos Estados Unidos — Foto: MAURO PIMENTEL / AFP Histórico de outra Copa A resistência de parte da torcida a Raphinha não é recente. Ela ganhou força após a entrevista concedida a Romário antes do clássico contra a Argentina, quando afirmou que daria "porrada" nos adversários se fosse necessário. A declaração repercutiu negativamente após a derrota por 4 a 1 para os argentinos, ainda nas Eliminatórias. Mais recentemente, o atacante voltou a gerar críticas ao comentar o Mundial de Clubes. Em entrevista durante as férias europeias, Raphinha lamentou a redução do período de descanso dos jogadores em razão da competição. Embora a fala estivesse relacionada ao calendário, ela foi interpretada por parte dos torcedores brasileiros como um menosprezo ao torneio, que despertou grande interesse no país. Mas o desgaste de imagem vai além de episódios pontuais. Raphinha simboliza para parte da torcida uma frustração esportiva que se arrasta há anos. Quando surgiu na seleção durante o ciclo para a Copa do Mundo de 2022, o atacante parecia destinado a assumir protagonismo. Atuações como a da vitória sobre o Uruguai, quando marcou dois gols e foi um dos destaques da equipe, alimentaram a expectativa de que o Brasil havia encontrado uma nova referência ofensiva. A Copa do Catar, porém, representou uma ruptura nessa trajetória. Apesar de ter participado dos cinco jogos da campanha brasileira, Raphinha terminou o torneio sem marcar gols ou dar assistências. O desempenho discreto contrastou com a expectativa criada nos meses anteriores e marcou o início de uma cobrança que aumentaria no ciclo seguinte. Nas Eliminatórias para a Copa de 2026, disputadas em meio a uma das piores campanhas da história recente da seleção, o atacante também não conseguiu reproduzir o nível exibido na Europa. A dificuldade em transferir para o Brasil o protagonismo que exerce em seu clube passou a ser uma das principais críticas ao camisa 11. O contraste é evidente. Pelo Barcelona, Raphinha se consolidou como um dos melhores jogadores do mundo, sendo apontado por muitos como merecedor da Bola de Ouro de 2025 e mantendo papel decisivo na temporada seguinte. Na seleção, entretanto, a influência nunca alcançou o mesmo patamar. A expectativa da comissão técnica e da torcida era que ele assumisse, ao lado de Vini Jr., a liderança da nova geração ofensiva da equipe. Ao longo dos últimos anos, foi testado em diferentes funções e setores do ataque na tentativa de potencializar suas características. Ainda assim, o rendimento ficou aquém do esperado. O jogador que decide partidas de Champions League e conduz o Barcelona em grandes noites europeias ainda busca uma atuação capaz de produzir impacto semelhante com a camisa da seleção brasileira. Contra o Haiti, porém, parece o jogo ideal para Raphinha e o Brasil deslancharem na Copa do Mundo.
Brasil busca aproveitar fragilidade do Haiti para resolver crise do setor ofensivo na Copa
Ao lado de Vinicius Junior, Raphinha é uma das convicções de Carlo Ancelotti, que tenta preencher quebra-cabeça do até então bem resolvido no ataque da seleção brasileira











