No Rio para participar da Conferência do Forte, Brynja Oskarsdottir, diretora de tecnologia da aliança, afirma que minerais críticos e indústria aeroespacial brasileira ganharam relevância no novo cenário de segurança internacional 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Diretora de tecnologia da Otan, Brynja Oskarsdottir — Foto: Mapa Fotografia RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 20:28 Otan Acelera Inovação Militar com Parcerias e Investimentos Estratégicos A Otan busca acelerar a inovação militar, enfatizando a importância de parcerias, como com o Brasil, em áreas como minerais críticos e tecnologia aeroespacial. Enquanto ministros discutem aumentar investimentos em defesa para 5% do PIB, o foco é transformar rapidamente recursos em capacidades militares, enfrentando o desafio de integrar novas tecnologias em ciclos rápidos. A guerra na Ucrânia destacou a necessidade de adaptação tecnológica, com iniciativas como o acelerador Diana e o Fundo de Inovação da Otan impulsionando a adoção de inovações. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Enquanto ministros da Defesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se reúnem nesta quinta-feira, em Bruxelas, para discutir os preparativos da cúpula da aliança em Ancara, em julho, o debate sobre segurança no Ocidente já não gira apenas em torno de quanto gastar, mas de quão rápido é possível transformar recursos em capacidades militares. Na véspera do encontro, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que a organização precisa de "mais forças, mais recursos e uma base industrial muito mais forte". Após os aliados concordarem em elevar os investimentos em defesa para 5% do PIB até 2035, o desafio agora é ampliar a produção industrial, acelerar a incorporação de novas tecnologias e adaptar-se a inovações que evoluem em ciclos de meses, como drones, inteligência artificial e guerra eletrônica. Para Brynja Oskarsdottir, diretora do Comitê de Ciência e Tecnologia da Assembleia Parlamentar da Otan, o desafio central da aliança é operacionalizar esse aumento histórico de gastos sem abrir mão dos mecanismos democráticos que caracterizam seus membros. A discussão ganhou força após a guerra na Ucrânia expor limitações da base industrial de defesa ocidental e acelerar a corrida por tecnologias como drones, inteligência artificial, computação quântica e sistemas espaciais. Em entrevista ao GLOBO durante a Conferência de Segurança Internacional do Forte, no Rio, ela argumenta que as democracias liberais continuam mais inovadoras do que regimes autoritários como China e Rússia e defende que parceiros como o Brasil podem desempenhar um papel relevante na nova arquitetura industrial e tecnológica da segurança internacional. O problema da Otan hoje ainda é dinheiro ou passou a ser velocidade? Em 2014, a meta era chegar a 2% do PIB. Em Haia, os aliados assumiram o compromisso histórico de alcançar 5%. Agora, o grande desafio é operacionalizar isso. Como garantir que a indústria esteja pronta? Como ampliar a escala de produção? Como assegurar que estamos investindo nas capacidades corretas? Esse será um dos temas centrais da cúpula de Ancara. A guerra na Ucrânia mostrou que drones, guerra eletrônica e inteligência artificial evoluem muito mais rápido do que os sistemas militares tradicionais. Como a Otan está se adaptando? A guerra demonstrou que adaptação tecnológica e inovação são decisivas. A Otan vem aprendendo com a experiência ucraniana e criou mecanismos para acelerar esse processo, como o Plano de Ação para Adoção Rápida, o acelerador de inovação Diana e o Fundo de Inovação da Otan. O objetivo é reduzir riscos, agilizar aquisições e aproximar novas tecnologias das necessidades reais dos militares. Muitos analistas argumentam que democracias enfrentam dificuldades para competir em velocidade com regimes autoritários. Você concorda? Não. Democracia não é um obstáculo à inovação. Pelo contrário. As democracias promovem colaboração aberta em ciência, pesquisa e tecnologia. Se observarmos os países e economias mais avançados tecnologicamente do mundo, veremos que todos são democracias liberais. Elas conseguem atrair talentos, promover pesquisa aberta e reunir conhecimento de diferentes partes do mundo. Essa continua sendo uma vantagem estratégica enorme. Mas China e Rússia conseguem mobilizar recursos e direcionar investimentos com rapidez. Isso não cria uma vantagem competitiva? Essa é uma narrativa recorrente, mas eu discordo. Os países da Otan têm um PIB combinado de aproximadamente US$ 46 trilhões. A China tem cerca de US$ 19 trilhões, e a Rússia, cerca de US$ 2,5 trilhões. Se os aliados cumprirem a meta de 5%, os recursos disponíveis superarão amplamente os de seus competidores. A questão não é capacidade econômica. É garantir que os sistemas nacionais de aquisição e inovação funcionem de forma mais eficiente. Então o desafio está menos na Otan e mais nos governos nacionais? Exatamente. A mobilização de recursos é uma prerrogativa nacional. A Otan estabelece parâmetros e padrões, além de coordenar o planejamento de capacidades e defesa. Mas cabe aos governos decidir como os recursos serão empregados. Também é no nível nacional que podem ser feitas reformas nos sistemas de aquisição e mudanças regulatórias para facilitar o desenvolvimento de tecnologias estratégicas e evitar que empresas inovadoras fiquem presas no chamado "vale da morte" entre pesquisa e produção. Você mencionou o chamado "vale da morte" da inovação. Por que ele preocupa tanto a Otan? Muitas empresas conseguem desenvolver tecnologias promissoras, mas não conseguem transformá-las em capacidades militares efetivamente utilizadas pelas Forças Armadas. Há dificuldades regulatórias, barreiras de aquisição e falta de escala. Isso é particularmente importante em áreas como inteligência artificial, sistemas autônomos, computação quântica e tecnologias espaciais. Uma das prioridades da Otan é justamente reduzir esse intervalo entre pesquisa, desenvolvimento e adoção operacional. Você mencionou iniciativas como o Diana e o Fundo de Inovação da Otan. Qual é o papel desses mecanismos? Um dos desafios é garantir que novas tecnologias consigam chegar rapidamente às Forças Armadas. O Diana, o Fundo de Inovação da Otan e outras iniciativas procuram reduzir riscos, acelerar aquisições e aproximar soluções tecnológicas das necessidades militares dos aliados. Também buscam evitar que empresas inovadoras fiquem presas no chamado "vale da morte" entre pesquisa, desenvolvimento e adoção operacional. O que define uma potência militar hoje? Determinação política. Essa é a palavra. Tecnologia é essencial, mas também é preciso haver disposição para investir, se preparar e agir quando necessário. Se um país não demonstra determinação política, seus adversários percebem isso. A capacidade militar depende tanto da tecnologia e da indústria quanto da disposição de utilizá-las. Onde o Brasil se encaixa nesse cenário? O Brasil possui ativos estrategicamente importantes em áreas como espaço, tecnologias de dupla utilização e minerais críticos. Esses são setores que têm enorme relevância não apenas para o Brasil, mas também para seus parceiros atuais e potenciais. A Otan tem uma agenda muito clara de ampliar parcerias, e isso se tornou ainda mais importante em um ambiente internacional mais contestado. O Brasil tem muito a oferecer nessa relação e já possui uma base industrial forte em áreas nas quais muitos países da Otan ainda estão fortalecendo suas próprias capacidades. Um exemplo é o Gripen sueco produzido no Brasil.
Após elevar gastos, Otan busca acelerar inovação militar e vê oportunidades de parceria com o Brasil
No Rio para participar da Conferência do Forte, Brynja Oskarsdottir, diretora de tecnologia da aliança, afirma que minerais críticos e indústria aeroespacial brasileira ganharam relevância no novo cenário de segurança internacional








