"O feminino não é algo para onde eu estou apontando, ele é o emissor desse trabalho", afirma a artista Juliana Lapa. Entre o onírico e a realidade concreta da experiência feminina, a artista pernambucana, em sua primeira exposição individual numa casa em São Paulo, apresenta o feminino como força de resistência e protagonismo.
Em cartaz na galeria Claraboia, na zona oeste da cidade, a mostra "Olga Não Me Deu Nada como Herança" é inteiramente composta por obras inéditas de Lapa e se destaca pela variedade de técnicas —desde o grafite e o lápis de cor até a tinta a óleo e a estratigrafia. "Vou adicionando para depois tirar. É quase como limpar uma escultura", diz Lapa.
Os trabalhos também apostam numa abundância de detalhes, lembrando os delírios do holandês Hieronymus Bosch, em composições densas e de grande complexidade visual. "São trabalhos que têm muitos acontecimentos simultâneos, exigem uma destreza para olhar para tudo", afirma a curadora Galciani Neves.
Lapa se aproxima ainda desse artista do século 15 —que viraria uma das maiores referências para a vanguarda surrealista— nas temáticas. Mas se Bosch explorava, por meio de trípticos, o sagrado e o profano de maneira compartimentada, a pernambucana junta tudo, combinando, em suas obras, o paradisíaco e o infernal —sempre enaltecendo a potência feminina.












