Na prática, a medida alcança financiamentos tomados por clientes da fabricante para custear valores pagos antes da entrega dos aviões, ainda durante o processo de produção Ideia é facilitar acesso ao financiamento e permitir condições mais favoráveis a compradores de aviões — Foto: Divulgação/Embraer O governo federal avançou, nesta quarta-feira (17), na tramitação da proposta que prevê garantia da União em financiamentos vinculados aos chamados pagamentos antecipados ("pre-delivery payments" ou PDPs) na venda de aeronaves da Embraer. O Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações (Cofig) aprovou o encaminhamento do tema ao Comitê-Executivo de Gestão (Gecex), que deve deliberar sobre a medida na próxima semana. Os PDPs correspondem aos pagamentos antecipados exigidos dos compradores quando entram na fila de produção da fabricante. Em geral, a empresa precisa desembolsar, antecipadamente, uma parcela prevista em contrato, normalmente em torno de 30% do valor da aeronave. O problema é que, nessa fase, o comprador ainda não recebeu o avião e, portanto, não gera receita com sua operação. Além disso, caso precise recorrer a financiamento para realizar o pagamento, enfrenta dificuldades para apresentar garantias aos credores, já que a aeronave ainda não foi entregue. Hoje, o Seguro de Crédito à Exportação (SCE) cobre o financiamento da aeronave propriamente dita, mas não esses adiantamentos. A proposta, antecipada pela “Folha de S.Paulo” e confirmada pelo Valor, cria justamente uma cobertura para esse tipo de operação. Pelo modelo em discussão, o risco de inadimplência dos financiamentos destinados aos pagamentos antecipados passaria a contar com garantia da União. A expectativa é que a redução do risco para os credores facilite a concessão dos empréstimos. A estrutura prevê a apresentação de contragarantias pelas empresas, cujo nível varia de acordo com a classificação de risco de cada companhia. Entre os ativos que podem ser utilizados estão recebíveis e direitos associados à própria posição do comprador na fila de produção das aeronaves. O SCE, mecanismo de cobertura de riscos em operações de exportação, é lastreado em recursos do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) e operacionalizado pela Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), sob supervisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex). De acordo com fontes da equipe econômica, não haverá necessidade de aporte adicional da União ao FGE para este programa.
Governo avança em proposta de garantia da União para venda de aeronaves da Embraer
Na prática, a medida alcança financiamentos tomados por clientes da fabricante para custear valores pagos antes da entrega dos aviões, ainda durante o processo de produção








