Embraer, que domina setor regional, puxou avanço com apoio do BNDES Protótipo da eVTOL, aeronave elétrica de decolagem e pouso — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/05/2026 - 10:40 Embraer lidera exportações para EUA com destaque na aviação regional A Embraer lidera as exportações brasileiras para os EUA, com US$ 351,6 milhões em março, destacando-se no setor de aviação regional. Com grande parte de sua produção voltada à aviação civil, a empresa superou metas de entrega e expandiu sua carteira de pedidos, impulsionada por modelos como o E195-E2. Investimentos em inovação, como o desenvolvimento de aeronaves elétricas eVTOL pela Eve Air Mobility, fortalecem sua posição global. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em março, o segmento de aeronaves e equipamentos relacionados liderou a exportação de produtos brasileiros para os Estados Unidos, alcançando 12,1% do total de vendas ao somar US$ 351,6 milhões. Nos quatro primeiros meses do ano, as vendas ao país totalizaram US$ 768,3 milhões (ganho de 23,6% na comparação com o mesmo período de 2025). A fabricação de aeronaves para exportação é concentrada na Embraer, que tem 85% de sua produção voltada à aviação civil. Em 2025, foram entregues 244 aeronaves — um aumento de 18,4% em relação a 2024 — e os Estados Unidos seguem como seu grande mercado consumidor. A empresa se tornou primordial para a malha aérea regional americana, principalmente com os jatos E175, que dominam 88% desse mercado. Apesar de ter pago US$ 80 milhões em taxas a partir de abril de 2025, a Embraer fechou o ano ultrapassando a meta de entregas e batendo recorde na carteira de pedidos. Nicho de mercado Com a negociação do governo brasileiro e sob pressão das próprias empresas americanas voltadas à aviação regional, o governo de Donald Trump retirou a taxação de 10% em fevereiro. Juliano Cortinhas, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília e professor visitante da Universidade da Virgínia, destaca que a Embraer e seus aviões de médio porte, com design aerodinâmico eficiente para o consumo de combustível, são fundamentais para esse nicho de mercado. Assim, diante do prejuízo causado com a imposição de barreiras, “o dinheiro falou na orelha do Trump”. A Embraer ganha mais impulso com o E195-E2, com eficiência ainda maior (29% menos consumo de combustível por assento, com total de 146 lugares), além da possibilidade de abertura de mercados graças à capacidade decolagem em pistas curtas. Em setembro do ano passado, a Avelo se adiantou na encomenda de 50 desses jatos, por US$ 4,4 bilhões e previsão de entrega para o primeiro semestre de 2027, com direito de compra para mais 50. A carteira de pedidos do primeiro trimestre deste ano, divulgada pela Embraer em 27 de abril, somou US$ 32,1 bilhões, com crescimento de 22% em relação ao mesmo período de 2025. O recorde foi puxado pela aviação comercial, com US$ 15 bilhões e aumento de 50% nas vendas, principalmente para a Europa. Dos Estados Unidos, ainda em junho passado, a Embraer recebeu pedido de compra de 60 aeronaves (por US$ 3,6 bilhões), com entrega a partir de 2027, e opções de compra de mais 50, por parte da SkyWest. Em setembro, a Embraer assinou acordo com a SNC (Sierra Nevada Company) para a venda de um A-29 Super Tucano, conceituado para treinamento de pilotos. Juliano Cortinhas observa que, no setor militar, os americanos fazem poucas compras, mas são estratégicos e “bons em proibir”. Partes importantes das aeronaves da Embraer vêm dos Estados Unidos, que não querem concorrentes desenvolvendo equipamentos no padrão Otan (a principal aliança militar do Ocidente, liderada por Washington), por exemplo, para venda no mercado. Daí a proteção tecnológica. No fim de março, ainda foram anunciadas negociações para venda do cargueiro militar KC-390. José Luis Gordon, diretor de desenvolvimento produtivo, inovação e comércio exterior do BNDES, destaca como estratégica a retomada dos financiamentos para exportação e também inovação, além da expansão industrial. — Para a Embraer, de 2023 até abril deste ano, foram R$ 27,13 bilhões para exportação, ou 108% a mais que nos quatro anos anteriores ao governo Lula. Para inovação e expansão fabril, mais R$ 1,95 bilhão — explica. Perspectivas a médio e longo prazo, diz, estão ligadas ao “grande debate no setor aeronáutico: como descarbonizar o setor, como usar combustível mais sustentável de aviação, como diminuir o peso do avião para gastar menos querosene”. Inovação aérea Parte de investimentos nessa área de inovação está na Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer que atua no desenvolvimento da eVTOL (aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical). Em 9 de abril, a Eve somou 50 voos e seguirá com testes para certificação pela Anac do “carro voador” (que leva até cinco pessoas, a até 100 quilômetros de distância). Já são 2.900 intenções de compra, com início das entregas previsto para 2027. Segundo Gordon, o BNDES apoia a Embraer também na implantação de uma fábrica da Eve em Taubaté (SP). A aposta é que a empresa se torne um dos grandes players globais do setor, às portas de uma nova jornada da mobilidade mundial.
Aeronaves brasileiras lideram as vendas para os EUA com US$ 351 milhões
Embraer, que domina setor regional, puxou avanço com apoio do BNDES












