PUBLICIDADE Subsidiária da Embraer concluiu 59 voos pairados e de baixa velocidade com protótipo de eVTOL; próxima fase prevê testes de transição para voo horizontal no segundo semestre de 2026 Os próximos testes devem acontecer nas próximas semanas, ainda em solo, como preparação para a fase de voos de transição — Foto: Divlgação/Embraer RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/05/2026 - 08:28 Eve Air Mobility avança em testes de eVTOL rumo a 2028 A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, concluiu 59 voos de teste com seu protótipo de eVTOL, um veículo elétrico de decolagem e pouso vertical, essencial para o desenvolvimento do "carro voador". O próximo passo, previsto para 2026, é testar a transição para voo horizontal. A previsão é que o transporte de passageiros comece em 2028, com desafios ainda a superar em termos de certificação e infraestrutura. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer voltada a veículos elétricos de decolagem e pouso vertical, concluiu uma etapa considerada essencial no desenvolvimento de seu “carro voador”: os ensaios de voos pairados e de baixa velocidade com o protótipo de engenharia do eVTOL. Ao todo, foram 59 voos bem-sucedidos, com 2h27min33s acumulados, segundo a empresa. O eVTOL — sigla em inglês para aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical — funciona como uma espécie de híbrido entre helicóptero e avião. Na decolagem, usa rotores para gerar empuxo e subir verticalmente. Depois, no voo pairado, permanece estabilizado no ar, a uma altura segura, em posição relativamente fixa em relação ao solo. A próxima etapa será testar a transição para o voo horizontal, quando a aeronave passa a se deslocar sustentada pelas asas, como um avião convencional. Segundo a Eve, os testes concluídos reforçaram a confiança nos modelos de controle, nas cargas estruturais e no sistema de aeropropulsão. A empresa informou que o protótipo demonstrou desempenho estável em voo pairado, comportamento consistente em manobras progressivamente mais complexas e bons resultados no gerenciamento das baterias. Veja fotos dos 'carros voadores' da Eve 1 de 7 Controlada pela Embraer, empresa anunciou que veículos serão produzidos em São Paulo — Foto: Divulgação 2 de 7 Os carros serão fabricados em uma unidade já existente da Embraer na cidade. O local, no entanto, deverá ser ampliado para receber a nova linha de produção — Foto: Divulgação X de 7 Publicidade 7 fotos 3 de 7 Eve apresentará maquete da cabine do eVTOL durante feira de aviação na Inglaterra — Foto: Divulgação 4 de 7 Em junho, a Eve anunciou uma parceria com a empresa americana United Airlines para operar o transporte urbano com os eVTOLs em São Francisco, nos EUA — Foto: Divulgação X de 7 Publicidade 5 de 7 Os primeiros modelos deverão sair da fábrica a partir de 2026 — Foto: Divulgação 6 de 7 Maquete de cabine de 'carro voador' da Embraer — Foto: Divulgação X de 7 Publicidade 7 de 7 Projeção de eVTOL da Eve — Foto: Divulgação Controlada pela Embraer, empresa anunciou que veículos serão produzidos em São Paulo — Ao longo dos voos, confirmamos um desempenho estável e comportamento previsível dos sistemas de controle dentro do envelope avaliado, ao mesmo tempo, em que ampliamos nosso entendimento sobre cargas estruturais, aerodinâmica, propulsão e gerenciamento de energia, elementos fundamentais para a fase de transição e para o caminho rumo à certificação com os protótipos conformes — afirmou Johann Bordais, CEO da Eve. Os ensaios de baixa velocidade foram realizados abaixo de 15 nós, o equivalente a 27,78 km/h. Depois, as operações foram expandidas para cerca de 20 nós, ou 37,04 km/h, com manobras simultâneas nos quatro eixos de controle. O protótipo também atingiu 65,5 metros de altura e sustentou um tempo máximo de voo de 3 minutos e 48 segundos. Protótipo de 'carro voador' da Embraer conclui etapa de testes de voo pairado A Eve afirma que os níveis de ruído registrados permaneceram dentro das expectativas, enquanto o desempenho dos sistemas de propulsão e das baterias superou as projeções iniciais. A empresa planeja realizar 300 voos de teste neste ano, incluindo os 59 já concluídos. Nas próximas semanas, o protótipo passará por ensaios em solo antes de iniciar, no segundo semestre de 2026, a fase de voos de transição. Essa é uma das etapas mais complexas do projeto, porque exige sincronizar os propulsores verticais, responsáveis pela sustentação, com as hélices horizontais, usadas para o voo de cruzeiro. — Essa correlação entre modelos e comportamento real é o que permite uma expansão disciplinada do envelope de voo. Com os ensaios em solo planejados para a próxima etapa, estaremos preparados para iniciar os voos de transição, em que validaremos a sincronização entre os propulsores de sustentação (lifter) e de avanço (pusher) antes de avançarmos para a fase de voo de cruzeiro — explicou Marcelo Basile, líder de testes da Eve. Apesar do avanço, especialistas avaliam que o caminho até a operação comercial ainda depende de etapas importantes de certificação. Para Ricardo Fenelon Jr., sócio da FBR Advogados e ex-diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a conclusão dos testes representa progresso, mas não significa que o processo esteja perto do fim. — O processo de certificação tem várias etapas. Essa parte concluída é só uma etapa de várias. Mas significa que eles estão caminhando — diz ele. A previsão da Eve é que o transporte de passageiros com o eVTOL comece em meados de 2028. No Brasil, a operação comercial deve envolver a Revo, parceira estratégica que prepara as primeiras rotas e o cronograma para o início do serviço. A infraestrutura e a definição dos corredores aéreos são vistas como pontos-chave para transformar o projeto em uma alternativa de mobilidade urbana. A Eve afirma ter uma carteira global superior a 2.900 intenções de compra e mantém diálogo com a Anac e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). O avanço brasileiro ocorre em meio à corrida internacional pelos chamados “carros voadores”. Em maio de 2026, a americana Joby Aviation realizou um voo público de eVTOL em Nova York, conectando o Aeroporto Internacional JFK ao centro de Manhattan em menos de dez minutos, trajeto que pode levar até duas horas de carro. O desafio, no entanto, vai além da tecnologia. Para que o modelo deixe de ser um serviço restrito ao nicho do táxi aéreo executivo, empresas como Eve e Joby terão de provar que conseguem operar com alta utilização das aeronaves, custos competitivos, regulação adequada e integração real ao cotidiano das cidades.