Embraer: a trajetória da gigante brasileira que 'sobreviveu ao próprio funeral'Empresa de aviação encontrou clareza no momento mais difícil, apostou em algumas áreas e conseguiu se reerguer. Crédito: Ariel Liborio (Edição)Gerando resumoA crise causada pela guerra do Irã, que provocou a disparada no preço dos combustíveis, pode ter impacto benéfico nos resultados da Embraer. Apesar de os efeitos pesarem na economia como um todo, as companhias aéreas têm dado prioridade a rotas que usam modelos menores, com a tentativa de manter a frequência dos voos sem desperdiçar combustível em trechos de baixa demanda.“Embora o estresse inicial dessas crises esteja sempre presente para todos, ele é um pouco reduzido para a Embraer, porque nosso setor (de aviação regional) oferece proteção econômica adicional para a companhia aérea”, afirmou o presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial, Arjan Meijer, a jornalistas na terça-feira, 9.Jato E2, da Embraer: maior demanda em função da alta do querosene de aviação Foto: Claudio Capucho/EmbraerPUBLICIDADESegundo ele, as aeronaves regionais têm ampliado a participação de mercado ano após ano, enquanto a demanda pelos modelos crescem ainda mais em momentos de crise. “As companhias aéreas começam a se concentrar menos no custo por assento e mais no custo por viagem”, disse.De acordo com dados da consultoria Cirium, apresentados no encontro da Embraer, as grandes companhias aéreas norte-americanas passaram a concentrar a expansão da oferta nas operações regionais, voos realizados por subsidiárias ou parceiras com aeronaves menores, em detrimento das operações principais.PublicidadeEm março, a oferta das regionais avançou 4%, ante 3% das operações principais. A diferença aumentou nos meses seguintes: em abril, o crescimento foi de 5% contra 4%; em maio, atingiu 7% ante 4%. As projeções para junho e julho indicam que as regionais devem registrar expansão de 4%, enquanto as operações principais tendem a crescer apenas 2%. “A estratégia permite preservar a conectividade da malha aérea em um ambiente de maior volatilidade”, afirmou Meijer.Saiba maisEmbraer: norte-americana Azorra amplia pedido de 39 para 54 aeronavesTempo de produção da aviação executiva caiu 45% desde 2021, diz CEO da EmbraerLatam oferece bônus de R$ 160 mil em disputa por pilotos para jatos da EmbraerNa segunda-feira, 8, a empresa de leasing de aviação norte-americana Azorra anunciou que compraria mais aviões da Embraer. Foi um pedido firme para 15 aeronaves E195-E2, com direitos de compra para mais 15 jatos. Com o acordo, o total de pedidos firmes da empresa de arrendamento e financiamento de aeronaves para aviões E2 aumenta de 39 para 54 unidades.Para os analistas Jorge Gabrich e Pedro Nascimento, do Scotiabank, que acaba de começar a cobertura de Embraer, a fabricante reúne múltiplos vetores de crescimento, mas o valor de suas ações vem sendo negociado com desconto relevante em relação a concorrentes globais do setor aeroespacial.PublicidadeSegundo o banco, a tese de investimento está apoiada em quatro pilares principais: a carteira recorde de pedidos, estimada em US$ 33,4 bilhões no segundo trimestre de 2026; o aumento das entregas em todas as divisões de negócios; a expansão da área de serviços e suporte, que gera receitas recorrentes de maior margem; e a participação de 72% na Eve, empresa de mobilidade aérea urbana que desenvolve aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL).O Scotiabank calcula que apenas os negócios tradicionais da Embraer já justificariam uma valorização de cerca de 27% das ações. A participação na Eve adicionaria uma camada extra de potencial de valorização, embora envolva riscos mais elevados por atuar em um mercado ainda emergente.