Atech já exportou sua tecnologia para países como Índia, Mauritânia e África do Sul Foto: Amanda Perobelli/Estadão - 26/04/2018Responsável pelo sistema que gerencia o tráfego aéreo brasileiro há mais de 30 anos, a Atech, empresa de tecnologia do grupo Embraer, iniciou o desenvolvimento de um sistema de inteligência artificial (IA) para otimizar o tráfego aéreo. A ideia central é incorporar dados históricos aos sistemas atuais de aprovação de planos de voo. Hoje, o sistema analisa parâmetros físicos e cinemáticos para liberar rotas, explica Rodrigo Persico, CEO da Atech. Com a camada de IA, ele passará a cruzar essas informações com padrões sazonais, horários de maior fluxo e condições climáticas recorrentes - e poderá sugerir horários de partida mais eficientes.PUBLICIDADEPersico elenca três ganhos diretos com a tecnologia, que será integrada à solução de Gerenciamento de Fluxo de Tráfego Aéreo (ATFM) da Atech. “Vai diminuir muito a situação em que o avião fica em ‘holding’, em espera, em fila”, afirma. Além disso, a maior previsibilidade beneficia passageiros, companhias aéreas e aeroportos e, ao otimizar rotas, o sistema reduz o tempo de aeronaves consumindo combustível no ar, com impacto direto nas emissões.Além de ser responsável pelo fluxo de tráfego aéreo no Brasil há mais de três décadas, por meio do sistema conhecido como Sigma, a Atech já exportou sua tecnologia para países como Índia, Mauritânia e África do Sul. Com cerca de 600 funcionários distribuídos entre São Paulo, Rio de Janeiro, São José dos Campos e Brasília, além de representação comercial em Portugal, a companhia projeta ampliar essa presença internacional no futuro, de acordo com o executivo.O projeto é desenvolvido em parceria com o Instituto de Ciências Matemáticas e Computação da USP de São Carlos e tem o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). O valor investido na tecnologia não é informado, mas o financiamento é dividido entre Atech e Embrapii, enquanto a USP entra essencialmente com o trabalho de pesquisadores. A empresa estima que a tecnologia esteja em pé, com protótipos funcionais em testes, em cerca de dois anos.A Embraer não discrimina os números da Atech em balanço, mas a companhia totalizou R$ 58,4 milhões em investimentos em pesquisa no primeiro trimestre de 2026, ante R$ 47,7 milhões no mesmo período do ano anterior. O grupo investiu um total de R$ 330,8 milhões em pesquisa durante 2025. No consolidado, os investimentos totais da Embraer no primeiro trimestre de 2026 chegaram a R$ 518,9 milhões.PublicidadeTecnologia no ar e nos maresA mesma lógica de integração de sistemas complexos está no centro de outro projeto relevante da companhia. As novas fragatas da classe Tamandaré, da Marinha do Brasil, estão equipadas com um sistema de gestão de combate e de plataforma totalmente desenvolvido pela Atech. A tecnologia integra todos os sensores, armamentos e sistemas da embarcação, e é capaz de monitorar motores e sistemas hidráulicos, recomendando ações corretivas e de emergência ao comandante de forma autônoma. A Atech também está presente nos submarinos brasileiros e nos simuladores do caça Gripen.No campo da segurança digital, a Atech ocupa uma posição pouco comum para uma empresa brasileira. É uma das poucas companhias do País a participar, há cinco anos consecutivos, do Locked Shields, o principal exercício de defesa cibernética da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). No evento, equipes de diferentes países simulam ataques e contra-ataques sobre infraestruturas críticas.Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 28/05/2026, às 09:00A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.Para saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.Publicidade
Atech, do grupo Embraer, usa IA para reduzir ‘filas’ de aviões no ar
Empresa atua no tráfego aéreo brasileiro há 30 anos e quer expandir sua presença internacional














