Poucas políticas seriam tão úteis ao PCC quanto a redução da maioridade penal. A Câmara dos Deputados voltou a discutir o tema, aproveitando o embalo das eleições, na PEC que reduz a idade penal de 18 para 16 anos. Os defensores prometem menos crimes, mas os números apontam para outro lado.

Construí um modelo que simula a população prisional ano a ano até 2046. O estudo é alimentado pelos microdados oficiais das prisões e pelas projeções do IBGE, testa os diferentes desenhos da reforma em discussão e repete o cálculo milhares de vezes para medir a incerteza. A projeção mostra uma medida cara, que enche prisões falidas e abastece as facções com recrutas.

O primeiro impacto é no tamanho da população carcerária. No cenário provável, essa mudança na Constituição acrescenta 33 mil presos até 2046, com pico de quase 36 mil por volta de 2037. Esse peso recai sobre uma geração que está cada vez menor . O número de jovens de 16 e 17 anos escolhe quase um quarto no período. O destino dessas pessoas já tem dono. Mais de 80% dos novos presos cumpririam pena em unidades de facção, e em São Paulo, onde o PCC tem o monopólio. O mecanismo é um velho conhecido na segurança pública. As maiores facções nasceram dentro de presídios e se expandem a cada leva de presos que chegam. Quem entra precisa de proteção, assume dívidas e recebe uma função. A cadeia é o home office das facções.