Para gestor, novo Desenrola vai acabar batendo na inadimplência mais à frente, pelo risco moral de o brasileiro perceber que a cada dois anos há uma mãozinha do governo para pagar a dívida Luis Stuhlberger, CEO e CIO da Verde Asset — Foto: Rogerio Vieira/Valor Mesmo que o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença a sucessão eleitoral, é difícil imaginar um grande “bull market” para o Brasil, como se teria caso o governador de São Paulo (Republicanos), Tarcísio de Freitas, concorresse e ganhasse o pleito, segundo Luis Stuhlberger, CEO e CIO da Verde Asset Management. “Há um potencial menor, mas ninguém vai falar em ajuste fiscal [na campanha] e vai ter que ser um estelionato eleitoral. O único candidato sincericida que fala claramente que o Brasil precisa de um ajuste fiscal é o Renan Santos (Missão)”, afirmou o gestor em evento da Verde nesta terça-feira. “Talvez seja uma torcida minha, mas ele é o único candidato que vai falar disso.” Stuhlberger diz que na fase pré-eleitoral, o governo vem lançando mão de seu pacote de bondades e que o novo Desenrola, o programa de renegociação de dívidas, vai acabar batendo na inadimplência mais à frente, pelo risco moral de o brasileiro perceber que a cada dois anos há uma mãozinha do governo para pagar a dívida. Só que num cenário de juros altos, o serviço da dívida das famílias pode ter um comportamento explosivo, comentou. “O brasileiro, se pagar a valor de face, paga R$ 1 trilhão de juros por ano.” O gestor observa a evolução da popularidade do presidente Lula e disse ver o presidente ganhando pontos com suas bondades, “que não são poucas e ajudam a comprar votos de muita gente”, e com o enfraquecimento da candidatura de Flávio Bolsonaro. “O Lula deu uma arrancada muito forte de melhoria nos últimos meses, e nos últimos meses de mandato é usual melhorar”, afirmou. Stuhlberger disse ainda que o Brasil é uma “máquina de produzir dólares”, referindo-se às exportações de commodities. “Por isso que tem um fiscal horroroso, um governo péssimo, mas ainda assim um câmbio num lugar ok.” O que mantêm o setor externo nos trilhos, continuou, é um déficit de 2,4% da conta corrente que vem sendo facilmente financiado pelo investimento estrangeiro direto, fora os investimentos em portfólio. Ele diz haver potencial de atração para projetos de energia renovável, terras raras e afins.