Pela segunda vez em menos de 12 meses, estou de volta à cidade de Guimarães, terra da maranhense Maria Firmina dos Reis. O município, com cerca de 10 mil habitantes, localizado na região ocidental norte do Maranhão, despontou como o berço, nos últimos anos, da primeira romancista brasileira, autora de "Úrsula" —embora a escritora tenha nascido em São Luís, entre 1822 e 1825.

Como se sabe, "Úrsula", de 1859, é um livro que traz na trama central a narrativa de personalidades negras fortes, no auge do período do Brasil escravista.

Muito antes dos chamados clássicos da literatura abolicionista, entre os quais "A Escrava Isaura", de 1875, de Bernardo Guimarães, e "As Vítimas Algozes", de 1869, de Joaquim Manuel de Macedo, o romance de Firmina depositava esperança política no contexto da luta pela abolição, como peça precursora de uma causa que só eclodiria em maio de 1888, com a assinatura da Lei Áurea.

Com essa nova viagem, voltei a experimentar a sensação de atravessar a Baía de São Marcos, embarcando na Ponta da Espera, em São Luís, com a emoção de navegar o histórico rio amazônico para chegar ao Porto de Cujupe, cumprindo o restante do percurso de carro até o centro urbano de Guimarães.