Lista reúne empresas de setores como energia, bancos, construção civil e indústria que mais remuneraram os acionistas nos últimos 12 meses De fabricantes de sandálias a concessionárias de energia elétrica, as maiores pagadoras de dividendos da bolsa brasileira vieram de setores bastante diferentes nos últimos 12 meses. Em comum, todas distribuíram uma boa parcela de seus lucros aos acionistas. Um levantamento realizado pela EQI Research mostra que a lista das maiores pagadoras de dividendos da bolsa no período é liderada pela Grendene (GRND3), dona das marcas Melissa, Rider e Ipanema, seguida por Direcional (DIRR3) e pela fabricante de ônibus Marcopolo (POMO4). Ao mesmo tempo, os dados também revelam uma forte presença de companhias de setores tradicionalmente associados à geração de caixa, como energia e bancos. Figuram entre os destaques nomes bastante conhecidos, como Cemig (CMIG4), Copel (CPLE3) e Itaúsa (ITSA4). Segundo João Zanott, analista da EQI responsável pelo levantamento, empresas com atuação em setores mais maduros da economia costumam aparecer com frequência entre as maiores distribuidoras de dividendos porque dependem de menos investimentos para sustentar suas operações e expansão. É o caso, por exemplo, das empresas de energia elétrica, que conseguem remunerar mais os acionistas por terem receitas mais previsíveis e um fluxo de caixa relativamente estável. A mesma lógica vale para as grandes instituições financeiras e outros negócios já consolidados, que não precisam investir muitos recursos para continuar crescendo. Empresas ligadas à construção civil, à indústria e ao setor de saúde também apareceram entre os destaques, refletindo bons resultados operacionais e forte geração de caixa ao longo dos últimos 12 meses. As 10 maiores pagadoras de dividendos nos últimos 12 meses Empresa Código Dividend Yield (%) Volume médio diário negociado (R$ milhões) Grendene GRND3 31,0% 4.550 Direcional Engenharia DIRR3 21,2% 6.439 Marcopolo POMO4 16,8% 9.104 Cemig CMIG4 16,5% 10.223 Cyrela CYRE3 16,5% 5.318 Marfrig MRFG3 15,6% 9.599 Rede D'Or RDOR3 15,1% 5.518 TIM TIMS3 14,4% 3.762 Itaúsa ITSA4 13,3% 23.862 Copel CPLE3 13,0% 16.344 *Foram consideradas empresas com liquidez média diária acima de R$ 3,5 milhões. Embora possa parecer tentador, Zanott alerta que o investidor precisa olhar além dos números que aparecem no ranking. Isso porque, ainda que o retorno em dividendos (o "dividend yield") seja uma das métricas mais observadas pelo mercado, ele retrata apenas o que aconteceu no passado. O analista lembra que, com a aprovação da tributação sobre dividendos no fim do ano passado, diversas companhias optaram por antecipar distribuições aos acionistas antes da entrada em vigor das novas regras, em janeiro deste ano. Isso fez com que alguns pagamentos realizados nos últimos meses de 2025 fossem maiores do que normalmente seriam, aumentando também os indicadores de dividend yield, mas que não devem se manter em níveis tão elevados. Nesse sentido, Zanott destaca que a capacidade de uma empresa continuar pagando dividendos elevados e de forma consistente depende de fatores que vão muito além do histórico recente de distribuição. Além da política de remuneração adotada em cada companhia, aspectos como crescimento dos lucros, geração de caixa e nível de endividamento ajudam a indicar se a empresa tem condições de continuar recompensando seus acionistas nos próximos anos. Como explica Zanott, rankings como este funcionam como um bom ponto de partida para identificar empresas que historicamente remuneraram bem seus acionistas, mas não substituem uma análise mais detalhada dos fundamentos de cada companhia. Afinal, os dividendos distribuídos nos últimos 12 meses mostram quem mais pagou no passado, mas é a capacidade de continuar gerando caixa e lucro que determinará os retornos futuros. — Foto: Getty Images