Mesmo com os juros elevados no Brasil, as maiores pagadoras de dividendos da B3 mantêm um histórico de resiliência que supera seus principais concorrentes no médio e longo prazo. Um levantamento do Inter Research revela que, em janelas de 5, 10 e 20 anos, o IDIV (Índice de Dividendos) entregou uma performance superior tanto em relação ao Ibovespa quanto ao CDI. Para evitar distorções estatísticas e comprovar a consistência da tese, o estudo do Inter comparou os índices em diferentes períodos. Segundo o levantamento, no acumulado de 20 anos, o IDIV deixou os pares comerem poeira e teve retorno de 1.137.56%, enquanto o Ibovespa subiu 433% e o CDI foi de 633,95%. Retorno acumulado nos últimos 20 anos — Foto: Divulgação/Banco Inter Nos últimos cinco e dez anos, o cenário foi um pouco mais próximo. Em uma década, o desempenho do IDIV foi de 280,73%, ante 196,15% no Ibov e 125,11% no CDI;Já em cinco anos, IDIV teve alta de 105,5%, Ibov de 73,3% e CDI de 66,53%. Retorno acumulado nos últimos 10 anos — Foto: Divulgação/Banco Inter Retorno acumulado nos últimos cinco anos — Foto: Divulgação/Banco Inter Embora a renda fixa atrelada à Selic ofereça retornos de fazer brilhar os olhos com baixo risco, o desempenho do IDIV prova que a renda variável pode superar essa bonança. No entanto, obviamente, há seus riscos e o investidor está exposto à volatilidade do mercado de ações. Para Rafael Winalda, estrategista de investimentos do Inter, construir esse tipo de portfólio em um país com histórico de juros altos exige análise criteriosa, seleção disciplinada de ativos e, acima de tudo, visão de longo prazo. Vale investir? Apesar de os dados sugerirem que o índice está em um patamar atrativo, o investidor deve ser cauteloso. Historicamente, o P/L (Preço sobre Lucro) médio do IDIV ficou em 19 vezes — um múltiplo considerado salgado para empresas maduras e de crescimento moderado. O P/L é uma métrica utilizada no mercado financeiro que mostra quantos anos o investidor levaria para recuperar o valor pago pela ação considerando o lucro atual da companhia. Na prática, Winalda diz que se o P/L está abaixo de oito, o papel está subvalorizado. Acima de 12, em geral, estaria caro. O entendimento do estrategista é que um patamar próximo de 12 vezes seria o "valor justo". "Se o P/L de 12 vezes indica um 'valuation justo', a valorização futura dependerá do crescimento dos lucros", explica o estrategista. Por isso, ele avalia que o garimpo individual de ativos se torna mais interessante do que comprar o índice cheio neste momento. "Tem que ser mais seletivo". Segundo Winalda, para investidores que não conseguem avaliar as ações e acompanhar o mercado com mais frequência, investir via índice também é uma possibilidade. "No longo prazo, já é um retorno muito bom. O IDIV já supera em janelas diferentes o Ibovespa e o CDI”. Onde estão as oportunidades? Segundo Winalda, o retorno sob a forma de dividendos (conhecido como "dividend yield") alto é importante, mas não deve ser o único norte. A filosofia de seleção do banco foca em olhar o conjunto completo, como, por exemplo, o nível de investimento das companhias. De olho lá na frente, normalmente empresas que possuem grandes investimentos têm um potencial de crescimento que pode se refletir em dividendos para os acionistas. O que avaliar numa "vaca leiteira", além dos dividendos: Se há forte geração de caixa e lucro operacional sólido;Baixo endividamento;Eficiência operacional;Potencial de crescimento. Setores como elétrico, bancário e de saneamento são considerados estáveis e resilientes. No entanto, só olhar para o setor não significa, necessariamente, que a empresa está em um bom momento ou é uma boa pagadora de dividendos. Winalda cita que indicadores como a relação preço/lucro orientam a identificação de ativos bem precificados ou subvalorizados. No setor elétrico, por exemplo, o banco tem uma preferência pelas distribuidoras. Winalda avalia que a parte de geração "está em um momento difícil, com preços mais voláteis, e mais oferta do que demanda" Já no setor financeiro, seguradoras como a BB Seguridade (BBSE3) e Caixa Seguridade (CXSE3) conseguem surfar a Selic alta, investindo seus "colchões de liquidez" em títulos pós-fixados. Outro ponto é não escolher empresas de setores "em declínio", ou que estão passando por dificuldades, ou com alta competitividade. "Por exemplo, o varejo no Brasil é extremamente competitivo. Agora temos empresas estrangeiras entrando no nosso mercado, e isso acaba gerando mais competitividade ainda. Então, tem que ser um setor estável, mas que apresenta expectativa de crescimento”, diz o estrategista. As apostas do Banco Inter No banco a estratégia na montagem da carteira de dividendos inclui gestão de risco, como a diversificação setorial, limitando cada setor a no máximo 25%, e a concentração por empresa, com um teto de 10% cada. O objetivo é sempre buscar uma boa relação risco-retorno e superar o índice de referência, que é o IDIV. Entre as apostas estão nomes como Itaú (ITUB4), Petrobras (PETR4), Vale (VALE3). Já empresas como Sanepar (SAPR11) e Copel (CPLE3) se beneficiam de marcos regulatórios e horizontes de investimento de longo prazo, o que gera um "horizonte de crescimento muito positivo”. Carteira recomendada de dividendos Empresa Código Peso na Carteira BB Seguridade BBSE3 10% Caixa Seguridade CXSE3 5% Petrobras PETR4 10% Vale VALE3 10% Cemig CMIG4 10% Itaú Unibanco ITUB4 10% Sanepar SAPR11 5% Vulcabras VULC3 10% Copel CPLE3 10% Mahle Metal Leve LEVE3 10% TIM TIMS3 10%
As boas pagadoras de dividendos batem tanto a renda fixa quanto o Ibovespa; vale investir nelas?
Segundo o levantamento, no acumulado de 20 anos, o IDIV deixou os pares comerem poeira e teve retorno de 1.137.56%, enquanto o Ibovespa subiu 433% e o CDI foi de 633,95%. Nos últimos cinco e dez anos, o cenário foi um pouco mais próximo













