Em meio a um cenário de incertezas e maior seletividade dos investidores na bolsa, a EQI Research selecionou 12 ações que, na visão da casa, combinam geração de caixa, potencial de valorização e distribuição de dividendos aos acionistas. A carteira reúne nomes tradicionais do mercado, como Petrobras (PETR4), Itaúsa (ITSA4), BB Seguridade (BBSE3) e Bradesco (BBDC4), além de empresas dos setores elétrico, saúde, papel e celulose, shoppings e varejo. Segundo João Zanott, João Neves e Nícolas Merola, analistas da EQI, a seleção busca equilibrar empresas resilientes, com menor nível de endividamento (alavancagem financeira) e bom histórico de pagamento de proventos. Eles explicam que a estratégia recente da carteira foi aumentar a diversificação do portfólio, reduzindo a exposição a ações que passaram por forte valorização nos últimos meses, como Itaúsa (ITSA4) e Axia Energia (AXIA6), e buscando uma relação mais equilibrada entre risco e retorno. BB Seguridade, Petrobras e Allos lideram projeções Entre as ações com maior retorno estimado em dividendos (dividend yield, no termo em inglês) aparecem BB Seguridade (BBSE3), com projeção de 11,6%, Allos (ALOS3), com 11,5%, Petrobras (PETR4), com 11,3%, e PetroReconcavo (RECV3), com 10,1%. Além desses papéis, a seleção da EQI também inclui ações da Itaúsa (ITSA4), Axia Energia (AXIA6), Copel (CPLE3), Alupar (ALUP11), Klabin (KLBN11), Fleury (FLRY3), Bradesco (BBDC4) e Vulcabras (VULC3). 12 ações para buscar dividendos, segundo a EQI Ação Dividend Yield (%) Peso na carteira EQI Itaúsa (ITSA4) 8,4% 10% Axia Energia (AXIA6) 5,7% 10% Petrobras (PETR4) 11,3% 10% BB Seguridade (BBSE3) 11,6% 10% Copel (CPLE3) 5,1% 10% Alupar (ALUP11) 4,0% 10% Klabin (KLBN11) 5,9% 10% Fleury (FLRY3) 5,8% 10% Bradesco (BBDC4) 7,7% 5% Allos (ALOS3) 11,5% 5% Vulcabras (VULC3) 6,3% 5% PetroReconcavo (RECV3) 10,1% 5% As maiores exposições da carteira estão concentradas em papéis dos setores elétrico e financeiro, que juntos representam mais da metade (55%) do portfólio. Em geral, empresas desses segmentos tendem a apresentar maior previsibilidade de caixa e distribuição de dividendos mais consistente mesmo em cenários de maior incerteza e volatilidade no mercado. Potencial na Klabin apesar de queda das ações Entre os papéis selecionados, chama atenção a presença da Klabin (KLBN11), ação que acumula queda de pouco mais de 11% desde o início do ano em meio à pressão sobre os preços internacionais da celulose e à valorização do real frente ao dólar. Mesmo assim, a EQI manteve recomendação de compra para os papéis e preço-alvo de R$ 24, considerando também uma estimativa de retorno em dividendos de 5,9% para 2026. Na avaliação da casa, a ação da Klabin negocia atualmente a múltiplos abaixo de sua média histórica, o que pode abrir espaço para uma valorização dos papéis caso o cenário do setor melhore nos próximos anos. A EQI reconhece que a companhia atravessa um momento mais desafiador por conta do cenário externo menos favorável para o setor de papel e celulose, mas avalia que a empresa segue apresentando geração de caixa considerada robusta e vantagens competitivas frente às concorrentes. Entre os diferenciais citados estão o modelo de produção verticalizado, em que a empresa atua desde a produção da celulose até a fabricação de papel e embalagens, além de uma das bases florestais mais produtivas do mundo. Apesar da visão positiva para a tese, a EQI ressalta que a Klabin não está livre de riscos. Entre os principais pontos de atenção estão justamente dois fatores que já vêm pressionando os resultados da companhia: a valorização do real frente ao dólar, que reduz a receita da empresa em reais, e a possibilidade de os preços da celulose e do papel seguirem pressionados diante do aumento da oferta global. Para os investidores de bolsa com foco em dividendos, a tese de investimento em ações costuma estar associada a uma visão de mais longo prazo. Mesmo no caso de empresas consideradas resilientes e boas pagadoras de dividendos, os preços dos papéis variam diariamente conforme mudanças no cenário econômico, nas expectativas para os juros, no câmbio e também na percepção de risco dos investidores. Por isso, estratégias focadas em dividendos tendem a estar mais ligadas à capacidade das empresas de continuar gerando caixa, preservando resultados e remunerando os acionistas ao longo do tempo, mesmo em períodos de maior volatilidade na bolsa. — Foto: Getty Images