A privatização da Eletrobras no fim do governo de Jair Bolsonaro (PL) completa quatro anos. O saldo é um sucesso para a companhia, rebatizada de Axia Energia em uma tentativa de soterrar o passado estatal. Seus lucros explodem, idem os ganhos dos dirigentes. Para o País e a população, é diferente. Os prometidos investimentos não vieram, e hoje em dia a conta de luz é estruturalmente mais cara.
A desestatização ocorreu a a partir do lançamento de novas ações da empresa no mercado e da proibição de que o governo, maior sócio individual, pudesse comprá-las, o que diluiu sua participação. A cerimônia que marcou a venda das ações ocorreu em 14 de junho de 2022, na presença do então presidente.
O modelo privatizador havia sido aprovado no Congresso no ano anterior. Ao propor a lei, o governo defendia que particulares assumissem o controle companhia pois o poder público não tinha dinheiro para investir no setor elétrico. Estudos oficiais prometiam 14 bilhões de reais de investimento anual com a privatização. Em quatro anos, seriam 56 bilhões. A realidade foi outra: pouco mais de 10 bilhões até aqui.
Esse descompasso lembra as ilusões de geração de empregos vendidas pela reforma trabalhista de 2017 do governo Michel Temer, gestão que deu, aliás, os primeiros passos para tirar a Eletrobras das mãos do Estado. Falava-se em até 6 milhões de novos postos de trabalho. Quatro anos depois, o desemprego havia aumentado.












